Brasil registra em 2025 o menor índice de casos de malária desde 1978
O Brasil registrou em 2025 o menor índice de malária desde 1978, com 118.037 casos e queda de 30% na mortalidade. A redução é atribuída ao uso da tafenoquina, medicamento de dose única administrado a mais de 33,7 mil pessoas. O país tornou-se a primeira nação a oferecer o fármaco para crianças via sistema público
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O Brasil atingiu em 2025 o menor índice de casos de malária registrado desde 1978. De acordo com dados do Ministério da Saúde, foram contabilizadas 118.037 ocorrências de transmissão local, o que representa uma redução de 14,8% na comparação com o ano anterior. O declínio no volume de infecções foi acompanhado por uma queda de 30% na mortalidade.
Os resultados foram apresentados pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta segunda-feira (17), durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, em Brasília.
Impacto da tafenoquina no tratamento
A redução dos indicadores é atribuída à implementação da tafenoquina, medicamento de dose única incorporado ao SUS em junho de 2023. O fármaco é indicado especificamente para combater o Plasmodium vivax, a espécie de parasita mais frequente no país.
Essa espécie possui a característica de alojar formas do parasita no fígado, o que pode provocar recaídas meses após o tratamento inicial, mesmo sem nova picada de mosquito. Anteriormente, o protocolo para evitar esses episódios exigia a administração de doses diárias por até duas semanas, esquema que dificultava a adesão dos pacientes, especialmente em áreas remotas.
Até junho de 2025, a tafenoquina foi administrada a mais de 33,7 mil pessoas, sendo que 3,9 mil desses tratamentos ocorreram em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).
Expansão do acesso pediátrico
Em 2025, o Brasil tornou-se a primeira nação do mundo a disponibilizar a tafenoquina para crianças através do sistema público de saúde. A medida visa ampliar a queda nos registros da doença, visto que o público infantil representa aproximadamente 50% dos casos de malária no Brasil.
A estratégia de distribuição priorizou a Terra Indígena Yanomami, em Roraima, região que enfrentou uma crise humanitária em 2023. Naquele ano, o governo federal decretou emergência em saúde pública em 20 de janeiro, após a detecção de quadros graves de malária e desnutrição. Entre janeiro e junho de 2023, a região registrou 217 óbitos causados por infecções respiratórias agudas, malária, desnutrição e outras causas.
Indicadores na região Yanomami
A aplicação do medicamento no território indígena já apresenta reflexos nos dados epidemiológicos locais:
- Recaídas de malária: queda de 61,9% entre março e junho de 2026, comparado ao mesmo período de 2025.
- Total de casos: redução de 55% entre janeiro e julho deste ano, em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.