Saúde

Cabeleireira britânica desenvolve queimaduras respiratórias após anos aplicando técnica de escova progressiva brasileira

11 de Agosto de 2026 às 12:03

A ex-cabeleireira britânica Louisa Curtis foi diagnosticada com queimaduras no sistema respiratório causadas pela inalação de formaldeído durante a aplicação de escovas progressivas. A profissional, de 55 anos, relatou incapacidade laboral e problemas de saúde persistentes desde 2008

Cabeleireira britânica desenvolve queimaduras respiratórias após anos aplicando técnica de escova progressiva brasileira
Becca Luttman

Uma ex-cabeleireira britânica de 55 anos, Louisa Curtis, relatou ter sido incapacitada para o trabalho e desenvolvido graves dificuldades respiratórias após anos aplicando a técnica de escova progressiva brasileira em suas clientes. Moradora de Milton Keynes, na Inglaterra, a profissional descobriu a causa de problemas de saúde que persistiam desde 2008 após ser hospitalizada em março deste ano.

Na ocasião, a equipe médica diagnosticou queimaduras no sistema respiratório provocadas pela inalação de gases de formaldeído liberados durante o processo de alisamento capilar. A descoberta explicou a deterioração progressiva de sua saúde, que já havia sido alvo de diversos exames e avaliações médicas anteriores sem um diagnóstico conclusivo.

Regulamentação do formaldeído

A técnica de alisamento, originada no Brasil, utiliza fórmulas de queratina para fortalecer os fios e reduzir o volume. No entanto, a substância formaldeído foi proibida como ingrediente cosmético por uma legislação da União Europeia publicada em 2019, norma que também foi adotada pelo Reino Unido.

Apesar da proibição geral, a legislação permite o uso de certos conservantes que liberam pequenas quantidades da substância sob condições específicas. Recentemente, o governo britânico tornou as regras de rotulagem mais rigorosas para proteger consumidores, especialmente aqueles com sensibilidade química. O limite para a obrigatoriedade de informar a presença de formaldeído livre no produto final foi reduzido de 0,05% (500 partes por milhão) para 0,001% (10 partes por milhão).

Segurança e orientações

A Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UK Health Security Agency) alerta que a população pode ter contato com o formaldeído por meio de produtos de consumo. O órgão ressalta, porém, que a exposição a baixos níveis, desde que os produtos sejam utilizados corretamente, não deve gerar efeitos adversos.

Sobre a segurança do setor, a Associação de Cosméticos, Artigos de Higiene Pessoal e Perfumaria reforça que a legislação vigente proíbe ingredientes perigosos e restringe as substâncias permitidas. A entidade afirma que as normas garantem que a fabricação ocorra em ambientes controlados e higiênicos, evitando a contaminação microbiana prejudicial.

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