Câncer de intestino torna-se a neoplasia mais frequente entre homens e mulheres no Brasil
O câncer de intestino é a neoplasia mais frequente no Brasil, causando mais de 23 mil óbitos anuais. Para ampliar a detecção precoce, o Ministério da Saúde implementou o Teste Imunoquímico Fecal no SUS para pessoas entre 50 e 75 anos
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O câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal, tornou-se a neoplasia mais frequente entre homens e mulheres no Brasil. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que a doença é responsável por mais de 23 mil óbitos anuais no país e representa 10% de todos os novos casos de câncer registrados em território nacional.
Globalmente, a incidência é alta, com quase 2 milhões de diagnósticos por ano, posicionando a patologia como a terceira mais comum no mundo. Embora a maioria dos casos ainda se concentre em pessoas acima de 50 anos, houve um crescimento expressivo de casos entre jovens. A ciência trabalha com a hipótese de que esse avanço esteja relacionado a estilos de vida cada vez mais insalubres nessa faixa etária.
Sinais de alerta e diagnóstico
A detecção precoce é dificultada porque a doença costuma evoluir de forma silenciosa. Mesmo quando surgem sintomas, há uma tendência da população em ignorá-los, conforme aponta pesquisa do A.C. Camargo. Entre os principais sinais de atenção estão:
- Sangue nas fezes ou sangramento retal;
- Alterações intestinais, como diarreia frequente, constipação ou fezes afinadas por vários dias;
- Perda de peso sem causa aparente;
- Cólicas ou dores abdominais persistentes;
- Quadros de anemia sem motivo identificado.
Um exemplo recente desse quadro foi o da cantora Preta Gil, que em 2023 relatou prisão de ventre severa — chegando a dez dias sem evacuar —, além de notar muco e sangue nas fezes. O diagnóstico definitivo ocorreu após um sangramento intenso, e a primeira tomografia revelou um tumor de seis centímetros.
Prevenção e hábitos de vida
A incidência do câncer colorretal possui relação direta com as escolhas cotidianas. Para reduzir os riscos, são recomendados seis pilares fundamentais:
- Alimentação equilibrada: Pratos compostos por legumes, verduras, carnes magras e grãos (como arroz, feijão ou macarrão).
- Controle de peso: Evitar a obesidade, que é um fator de risco central.
- Atividade física: Prática regular, como caminhadas diárias de 40 a 60 minutos.
- Abstinência de substâncias: Não fumar e evitar o consumo excessivo de álcool para prevenir mutações celulares.
- Hidratação: Ingestão de até 3 litros de líquidos por dia, dependendo do peso e do nível de atividade física.
- Funcionamento intestinal: Evitar períodos superiores a 48 horas sem evacuar, impedindo que substâncias cancerígenas permaneçam em contato prolongado com a mucosa intestinal.
Novo protocolo de rastreamento no SUS
Para ampliar a detecção, o Ministério da Saúde implementou um novo protocolo de rastreamento do câncer colorretal no Sistema Único de Saúde (SUS).
O foco agora é o Teste Imunoquímico Fecal (FIT), indicado para homens e mulheres entre 50 e 75 anos que não apresentam sintomas. O exame utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano invisível a olho nu, sendo mais preciso que as versões anteriores de sangue oculto. O objetivo é detectar precocemente pólipos, lesões pré-cancerígenas ou tumores.