Causa da morte de fisiculturista de 22 anos foi cardiomiopatia hipertrófica
O fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, morreu no último fim de semana devido a uma cardiomiopatia hipertrófica. O atleta relatou o uso de insulina e apresentou hipoglicemia semanas antes do óbito
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/1/r/OynEcCSYe6QaR1IbUbpQ/globo-canal-5-20240414-2200-frame-76553.jpeg)
A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, ocorrida no último fim de semana, reacende o alerta sobre os riscos extremos associados ao fisiculturismo de alto rendimento. O atestado de óbito do atleta apontou cardiomiopatia hipertrófica — condição marcada pelo espessamento anormal do músculo cardíaco — como a causa do falecimento. A patologia pode ter origem genética ou ser adquirida, inclusive por meio do uso de anabolizantes. Ganley, que possuía forte presença digital, havia relatado a utilização de insulina, substância classificada como anabolizante, e apresentou um episódio de hipoglicemia semanas antes de morrer, após aplicar o hormônio em um período de restrição alimentar.
O episódio não é isolado, somando-se a outras mortes recentes de praticantes da modalidade causadas por complicações cardíacas ou pelo uso de substâncias sintéticas. O fisiculturismo é uma das atividades que mais exige do organismo, e o treinamento excessivo altera a produção de hormônios sexuais, tireoidianos e do cortisol. Esse quadro é agravado pelo uso de esteroides anabolizantes, que prometem acelerar o ganho de massa muscular e a redução de gordura, mas comprometem a saúde sistêmica.
No coração, essas substâncias elevam os riscos de hipertensão, arritmia, AVC, embolia, infarto e morte súbita. O sistema excretor também é afetado, podendo ocorrer insuficiência, inflamações graves e tumores nos rins e no fígado. No campo hormonal, a interrupção da produção natural de testosterona pode levar à impotência e infertilidade. O impacto psicológico inclui irritabilidade, agressividade e depressão. Em mulheres, os efeitos incluem calvície, engrossamento da voz, acne, alterações menstruais, aumento do clitóris e infertilidade.
Além dos hormônios, a prática de desidratação e o corte de sódio antes de competições, visando a aparência muscular mais "seca", representam perigos severos. Como o funcionamento dos músculos e do coração depende do equilíbrio de sais minerais e água, tais medidas podem provocar desmaios, queda de pressão, arritmias, trombose, falência renal e morte súbita.
Para que a modalidade seja sustentável e saudável, é indispensável o equilíbrio entre três pilares: treino, dieta e descanso. O treinamento deve ser estruturado em fases de ganho de massa e definição, permitindo que o músculo se recupere do processo inflamatório gerado pelo esforço. A dieta, rica em proteínas como frango, peixe, ovos e laticínios, deve ter a quantidade de carboidratos ajustada conforme o treino e a restrição calórica na fase de definição deve ser gradual e acompanhada por nutricionista. O descanso, frequentemente negligenciado, é essencial para a evolução muscular.
A segurança do atleta depende da manutenção de exames periódicos de sangue e cardíacos, orientação médica e nutricional constante, hidratação adequada e o respeito aos limites genéticos individuais. É fundamental evitar o uso de substâncias proibidas pela Anvisa e pelo Conselho Federal de Medicina para fins de performance ou estética.