Saúde

Cigarros eletrônicos reduzem a capacidade física de jovens tanto quanto o tabagismo convencional

17 de Julho de 2026 às 06:09

Estudo da European Respiratory Society com 75 jovens indica que cigarros eletrônicos e convencionais reduzem em 15% a capacidade física e o consumo de oxigênio. A pesquisa aponta prejuízos na função vascular, inflamação nos vasos sanguíneos e maior acúmulo de ácido lático nos músculos

Cigarros eletrônicos reduzem a capacidade física de jovens tanto quanto o tabagismo convencional
ArthurHidden/Freepik

O uso de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, compromete a capacidade de realização de exercícios físicos em jovens de maneira equivalente ao tabagismo convencional. Um estudo divulgado pela revista científica European Respiratory Society revelou que ambos os hábitos provocam uma redução de 15% na capacidade física e no consumo de oxigênio durante o pico do esforço.

Impactos no desempenho físico e respiratório

A pesquisa identificou que a eficiência ventilatória é prejudicada, resultando em um aumento de sintomas como fadiga e falta de ar durante atividades físicas. Os dados apontam que a capacidade dos pulmões de eliminar o dióxido de carbono é reduzida, o que acelera o acúmulo de ácido lático nos músculos. Essa substância é a responsável direta pela sensação de queimação muscular e pelo cansaço precoce.

Além do sistema respiratório, o estudo detectou prejuízos na função vascular sistêmica e sinais de inflamação nos vasos sanguíneos, com efeitos semelhantes tanto para usuários de vapes quanto para fumantes de cigarros comuns.

Metodologia do estudo

A análise foi conduzida com 75 voluntários, com idades entre 18 e 30 anos, divididos em três grupos distintos:
* Pessoas que nunca fumaram ou utilizaram dispositivos eletrônicos;
* Fumantes de cigarros convencionais que jamais usaram vapes;
* Usuários de cigarros eletrônicos há cerca de três anos que nunca fumaram cigarros comuns.

Para garantir a precisão dos resultados, todos os participantes possuíam função pulmonar normal em repouso e mantinham estilos de vida similares, inclusive no consumo de álcool, cafeína e níveis de atividade física. A avaliação consistiu em testes de esforço progressivo em bicicleta ergométrica, com monitoramento de frequência cardíaca, respiração e níveis de ácido lático sanguíneo. Foram realizados, ainda, exames de sangue e ultrassom para analisar o funcionamento das artérias.

Riscos à saúde e dependência química

A nicotina, presente em ambos os tipos de cigarro, é o agente químico que gera a dependência característica do tabagismo. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), essa condição pode desencadear cerca de 50 doenças diferentes, divididas em três grupos principais:

  1. Neoplasias: Cânceres de pulmão, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo de útero e leucemia.
  2. Afecções Respiratórias: Asma, bronquite crônica, enfisema pulmonar e infecções respiratórias.
  3. Doenças Cardiovasculares: Hipertensão arterial, angina, aneurismas, tromboses, acidente vascular cerebral e infarto agudo do miocárdio.

No caso específico dos dispositivos eletrônicos, há a incidência da EVALI (lesão pulmonar induzida pelo cigarro eletrônico). A enfermidade manifesta-se através de febre, náuseas, fadiga e dificuldade respiratória, tendo registrado 68 óbitos.

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