Saúde

Consumo moderado de café reduz riscos de doenças cardiovasculares segundo a American Heart Association

20 de Julho de 2026 às 10:51

A American Heart Association associou o consumo de até 400 mg de cafeína diária à redução de riscos de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e mortalidade geral. Os benefícios estão ligados a compostos da bebida, mas não se estendem a suplementos ou energéticos. O método de preparo influencia a saúde, pois cafés sem filtro podem elevar o colesterol LDL

Consumo moderado de café reduz riscos de doenças cardiovasculares segundo a American Heart Association
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O consumo moderado de café pode ser integrado a uma rotina saudável para a maioria dos adultos, apresentando associação com a redução de riscos de doenças cardiovasculares. A conclusão consta em uma nova declaração científica da American Heart Association (AHA), que revisou evidências recentes sobre a influência da cafeína na saúde do coração.

A organização define como seguro o consumo de até 400 mg de cafeína por dia — volume correspondente a três ou cinco xícaras de 240 ml. Esse padrão de ingestão foi relacionado a menores índices de infarto, insuficiência cardíaca, hipertensão, diabetes tipo 2, fibrilação atrial e acidente vascular cerebral (AVC). Além disso, estudos de acompanhamento indicam que o hábito moderado está ligado a uma menor probabilidade de morte por causas gerais.

Compostos do café e metabolismo

A análise da AHA ressalta que os benefícios estão ligados ao café como bebida, e não apenas à cafeína isolada. A bebida contém substâncias biologicamente ativas, como melanoidinas, trigonelina, diterpenos e ácidos clorogênicos. Esses compostos possuem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, que podem aprimorar a função dos vasos sanguíneos, o metabolismo da glicose e a sensibilidade à insulina. Essa composição explica por que versões descafeinadas do café também apresentam efeitos positivos em algumas pesquisas.

A resposta do organismo à substância varia conforme a genética de cada indivíduo, especialmente devido à enzima CYP1A2, responsável pela metabolização da cafeína. No entanto, ainda não há provas de que essas diferenças genéticas alterem a proteção cardiovascular ou a mortalidade.

Impactos na pressão arterial e diabetes

A relação entre a cafeína e a pressão arterial é complexa. Embora pessoas hipertensas possam ter picos temporários de pressão após o consumo, estudos de longo prazo indicam que os efeitos habituais são reduzidos. Foi observada uma relação em formato de "J", onde o risco de hipertensão aumentou em quem consumia de uma a três xícaras diárias, mas tendeu a diminuir em consumos mais elevados.

Quanto ao diabetes tipo 2, a revisão de 28 estudos prospectivos apontou que a ingestão de 3,5 xícaras de café por dia reduz o risco da doença em 20%. Esse índice sobe para 30% entre aqueles que consomem cerca de cinco xícaras diariamente.

Riscos associados ao preparo e fontes sintéticas

O método de extração da bebida influencia a saúde do coração. Cafés preparados sem filtro — como o espresso, café turco, café fervido escandinavo e French press — contêm cafestol, substância que pode elevar os níveis de colesterol LDL. Já o café solúvel e o filtrado em papel não apresentam quantidades relevantes desse composto.

A AHA faz uma distinção rigorosa entre o café e outras fontes de cafeína. Os benefícios não se estendem a bebidas energéticas, suplementos ou doses concentradas em pós e cápsulas. Esses produtos podem elevar significativamente a pressão arterial e foram associados a casos de fibrilação ventricular, fibrilação atrial e morte súbita.

Saúde arterial e arritmias

No que diz respeito à doença arterial coronariana, o consumo leve ou moderado de café reduziu o risco em aproximadamente 10%, com a maior proteção observada entre duas e três xícaras por dia. Para a insuficiência cardíaca, a maioria das pesquisas não encontrou aumento de risco, apontando inclusive reduções moderadas em consumos baixos ou moderados.

Sobre a fibrilação atrial, o consumo habitual geralmente não aumenta o risco e pode até reduzi-lo. Um ensaio clínico demonstrou que a ingestão de ao menos uma xícara de café cafeinado por dia reduziu em 39% a recorrência dessa arritmia. Por outro lado, estudos randomizados notaram um aumento na frequência de extrassístoles ventriculares, embora sem a progressão para arritmias graves na maioria dos casos.

A AHA pondera que, como grande parte dos dados provém de estudos observacionais, não é possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito. A organização defende a realização de novos ensaios clínicos para isolar os efeitos da cafeína dos demais compostos do café e entender as variações de resposta entre os indivíduos.

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