Saúde

Controle da pressão alta pode evitar mais de 500 mil mortes cardiovasculares por ano no mundo

12 de Outubro de 2026 às 06:01 3 min de leitura

O controle da pressão alta poderia evitar 518.476 mortes anuais por doenças cardiovasculares em 20 países de renda média, segundo estudo preliminar da American Heart Association. A análise indica que apenas 20% dos adultos hipertensos nessas nações mantêm a pressão arterial controlada

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Controle da pressão alta pode evitar mais de 500 mil mortes cardiovasculares por ano no mundo
Reprodução/Jornal Hoje

O aprimoramento do controle da pressão alta tem o potencial de evitar mais de 500 mil mortes anuais por doenças cardiovasculares em escala global. Os dados fazem parte de um estudo preliminar apresentado no Hypertension Scientific Sessions 2026, evento da American Heart Association dedicado a pesquisas sobre hipertensão e sua correlação com obesidade, genética, AVC e patologias cardíacas e renais.

A análise, que abrangeu 20 países de renda média alta e média baixa com altos índices de óbitos por doenças não transmissíveis, identificou que o cuidado com a pressão arterial é a medida preventiva com maior capacidade de salvar vidas, com uma estimativa de 518.476 mortes evitadas por ano.

Impacto de medidas preventivas

Para calcular esses números, os pesquisadores, liderados por Scott Pilla, professor da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, utilizaram modelos estatísticos que simularam a realidade. O cenário ideal considerou a expansão de seis serviços preventivos para que atingissem 80% das pessoas elegíveis, patamar observado no sistema de saúde dos Estados Unidos.

Além da hipertensão, outras intervenções apresentaram resultados significativos na redução de óbitos cardiovasculares anuais:

  • Tratamento com estatinas para pacientes com colesterol elevado: 340.682 mortes evitadas.
  • Controle da glicemia em portadores de diabetes tipo 1 ou tipo 2: 309.520 mortes evitadas.

Lacunas no cuidado à saúde

O levantamento revelou que apenas um em cada cinco adultos com hipertensão nos países analisados mantinha a pressão arterial controlada, definida no estudo como valores abaixo de 140/90 mm Hg. Esse déficit de controle é corroborado por dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A baixa adesão a cuidados preventivos foi ainda mais acentuada em outras frentes:

  • Colesterol alto: apenas 16% dos elegíveis utilizavam estatinas.
  • Diabetes: 39% dos pacientes mantinham a glicemia em níveis ideais.
  • Rastreamento de câncer: entre 14% e 26% da população realizou os exames de rotina indicados para colo do útero, mama e cólon.

Disparidades econômicas e riscos globais

As doenças não transmissíveis representam cerca de três em cada cinco mortes no mundo, sendo que 73% desses óbitos ocorrem em nações de baixa ou média renda. Dentro desse grupo, as condições cardiovasculares são as principais causas de morte.

A melhora no controle da pressão arterial poderia evitar 223.655 mortes anuais em países de renda média baixa e 223.282 em países de renda média alta. Os pesquisadores apontam que as nações de renda média baixa possuem as maiores oportunidades de melhoria, devido ao uso mínimo de exames de rastreamento oncológico e baixas taxas de tratamento para colesterol e hipertensão.

Metodologia e limitações

As estimativas foram baseadas em dados de instituições como a Global Burden of Disease, a NCD Risk Factor Collaboration e a iniciativa STEPwise da OMS.

Embora os resultados sejam promissores para a formulação de políticas de saúde pública, o trabalho é atualmente um resumo de pesquisa e ainda não passou por revisão por pares, o que torna as conclusões preliminares até a publicação do artigo completo. Os autores ressaltam que alguns países analisados possuíam dados limitados e que o estudo não propõe estratégias específicas para ampliar o acesso aos serviços, sugerindo que pesquisas futuras foquem na redução dessas lacunas.

Com informações de G1

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