Saúde

Controle de peso e exercícios são a base do tratamento para a artrose no joelho

18 de Setembro de 2026 às 06:00 3 min de leitura

A artrose no joelho atingia 365 milhões de pessoas em 2019, segundo a OMS. O tratamento central baseia-se em autocuidado, controle de peso e exercícios estruturados, sendo que a perda de peso reduz a carga articular. Infiltrações com corticoides, ácido hialurônico e ortobiológicos atuam no alívio de sintomas, mas não possuem comprovação de regeneração da cartilagem

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Controle de peso e exercícios são a base do tratamento para a artrose no joelho
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A artrose no joelho afeta a maior articulação do corpo humano e, em 2019, atingia 365 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Embora o desgaste articular seja mais frequente com o envelhecimento, traumas, sobrecargas e processos degenerativos podem impactar indivíduos de diversas idades, comprometendo a autonomia em atividades básicas, como subir escadas, levantar-se e caminhar.

A realidade das infiltrações articulares

A busca por alívio rápido da dor tem levado muitos pacientes a priorizarem a escolha do produto para infiltração em vez do diagnóstico preciso. Impulsionadas por relatos em redes sociais e publicidades, terapias como o uso de corticoide, ácido hialurônico, hidrogel, plasma rico em plaquetas (PRP), BMA e BMAC são frequentemente vistas como soluções universais, embora possuam indicações, resultados e durações distintas.

O tratamento deve ser pautado no problema específico de cada paciente e em objetivos claros, que podem ser:

  • Alívio de sintomas;
  • Modificação da sinalização biológica, do líquido sinovial ou da inflamação;
  • Reparação de áreas lesionadas;
  • Regeneração de tecidos próximos à cartilagem original.

É fundamental compreender que a redução da dor não implica, necessariamente, na regeneração da cartilagem.

Base do tratamento e controle de peso

Procedimentos e medicamentos são complementares e não substituem a base da recuperação articular. Diretrizes internacionais estabelecem que o cuidado central deve focar no autocuidado, no controle de peso e na prática de exercícios estruturados, que fortalecem a musculatura para melhor absorção de cargas.

A relação entre peso e impacto articular é direta: em adultos com obesidade ou sobrepeso e artrose, a perda de cada quilo reduz a carga sobre o joelho em aproximadamente quatro quilos por passo. O ensaio clínico IDEA demonstrou que a combinação de dieta e exercício, resultando em perda média de peso superior a 10% em 18 meses, apresentou melhores desfechos do que intervenções isoladas, melhorando a função e a autonomia, apesar de não produzirem nova cartilagem.

Análise de recursos e evidências científicas

Cada recurso terapêutico possui mecanismos e graus de evidência diferentes, não sendo versões concorrentes de uma mesma terapia.

Corticoide e Ácido Hialurônico
As aplicações de corticoide intra-articular podem reduzir a inflamação a curto prazo, mas não regeneram a cartilagem. Um estudo com 140 pacientes revelou que o uso trimestral de triancinolona por dois anos não superou o efeito de injeções de solução salina no controle da dor e esteve associado a uma maior perda de cartilagem. Já o ácido hialurônico, componente do líquido sinovial, pode melhorar a função e aliviar a dor em algumas formulações, mas as recomendações médicas sobre seu uso divergem.

Ortobiológicos e Terapias Celulares
Os ortobiológicos utilizam materiais do próprio corpo para alterar o ambiente articular:

  • PRP (Plasma Rico em Plaquetas): Obtido do sangue do paciente, possui concentrações variadas de plaquetas e leucócitos. No ensaio RESTORE, com 288 participantes, três aplicações de PRP não foram superiores à solução salina na redução da dor ou preservação da cartilagem após 12 meses, embora outras revisões indiquem superioridade em relação ao ácido hialurônico.
  • BMA e BMAC: O aspirado de medula óssea (BMA) e seu concentrado (BMAC) são misturas de células sanguíneas, citocinas e fatores de crescimento, com poucas células progenitoras. Eles podem modular o ambiente articular, mas não possuem comprovação de regeneração cartilaginosa.

As terapias celulares com células manipuladas em laboratório permanecem em fase investigacional. Uma revisão de 16 ensaios randomizados, envolvendo 807 pessoas, indicou que esses tratamentos oferecem pouca ou nenhuma melhora clinicamente relevante na função e dor entre três e seis meses, mantendo incertezas sobre riscos a longo prazo.

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