Cortes no financiamento internacional para o combate ao HIV comprometem progressos globais, alerta a ONU
A ONU alerta que cortes em financiamentos internacionais de países como EUA, Reino Unido, França e Alemanha prejudicam o combate ao HIV. Verbas para prevenção caíram até 90%, enquanto mais de 50 nações, incluindo Brasil, ampliaram investimentos próprios. O Unaids registrou 1,2 milhão de novas infecções e 570 mil mortes no último ano
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A redução abrupta no financiamento internacional para o combate ao HIV compromete décadas de progressos e desorganiza as estratégias de enfrentamento da doença, conforme alerta a agência da ONU responsável pelo tema. Esse cenário reflete uma tendência de cortes em nações desenvolvidas, com destaque para a ação do governo de Donald Trump nos Estados Unidos, que praticamente desestruturou a Usaid, agência americana dedicada à área. Recortes semelhantes foram implementados por Reino Unido, França e Alemanha, impactando a operação de ONGs e o controle de patologias que afetam prioritariamente as populações mais pobres.
O impacto financeiro é severo nos eixos de prevenção: os recursos para a distribuição de preservativos sofreram uma queda de 90%, enquanto as verbas para programas de prevenção recuaram 80%. No último ano, o Unaids registrou 1,2 milhão de novas infecções e 570 mil mortes por aids. Embora esses indicadores mantenham a trajetória de declínio iniciada em 2010, a agência ressalta que os dados ainda não contabilizam os efeitos diretos da perda de verbas internacionais.
A distribuição de novos casos apresenta disparidades regionais entre 2010 e 2025. O Oriente Médio e o Norte da África registraram o aumento mais expressivo, com 77% de alta nas infecções. A Europa Oriental e a Ásia Central tiveram alta de 15%, enquanto a América Latina apresentou crescimento de 13%. Em contrapartida, houve redução de 30% nos casos no Caribe e de 13% na América do Norte, Europa Central e Europa Ocidental.
Diante do colapso do auxílio externo, mais de 50 países decidiram ampliar o investimento próprio no combate ao vírus. Na América Latina, Brasil, Bolívia, Chile, Equador, Peru, El Salvador, Honduras e Nicarágua assumiram o compromisso de reforçar a atenção e a prevenção com recursos nacionais. No entanto, a diretora da agência, Byanyima, afirma que esse movimento não é suficiente para compensar a lacuna deixada pelo financiamento global.
No campo terapêutico, o surgimento do lenacapavir, desenvolvido pelo laboratório Gilead, representa um avanço devido à sua eficácia no tratamento e prevenção, além de dispensar administrações frequentes. Apesar do potencial do medicamento, a disponibilidade da droga permanece restrita a países desenvolvidos.