Crescimento da quiroprática veterinária enfrenta contestação científica por falta de evidências de eficácia e segurança
A quiroprática veterinária cresce globalmente, mas enfrenta contestação científica por falta de evidências de eficácia e segurança em animais. Especialistas alertam que a prática pode causar lesões graves, como paraplegia e morte, além de retardar tratamentos médicos comprovados. Na Espanha, a terapia não é reconhecida como profissão oficial e divide opiniões entre associações de veterinários
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A expansão da quiroprática veterinária tem crescido globalmente, impulsionada pela tendência de humanização dos animais de estimação, mas a prática enfrenta forte contestação científica devido à ausência de evidências que comprovem sua eficácia e segurança em cães, gatos e cavalos.
A técnica baseia-se na teoria das "subluxações" — supostos desalinhamentos da coluna que desestabilizariam o organismo. No entanto, a ciência não comprovou a existência desses desalinhamentos nem a capacidade de a terapia restaurar a comunicação do sistema nervoso. O som de estalo ("crack") característico dos ajustes, frequentemente amplificado por mesas especiais, é explicado por fisioterapeutas como a liberação de gases da articulação, gerando um efeito psicológico de alívio no tutor, mas sem valor curativo real para o animal.
Na Espanha, o cenário reflete essa ambiguidade. O Ministério da Saúde ainda mantém a terapia em fase de avaliação, não a reconhecendo como profissão oficial. Apesar disso, clínicas oferecem o serviço, muitas vezes associado a outras terapias sem comprovação, como a acupuntura. Os custos variam: a primeira consulta pode chegar a 110 euros, com sessões subsequentes de 30 minutos custando até 70 euros, embora existam opções a partir de 55 euros.
A popularidade da prática é alimentada por redes sociais e pelo mercado de alta performance. No TikTok, perfis como o de Hey Bones acumulam milhões de visualizações com vídeos de manipulações em diversos animais. No setor equestre, especialmente na França, a técnica é promovida para potencializar o desempenho de cavalos de competição, enquanto para cães atletas a promessa é a prolongação da vida esportiva.
Especialistas alertam para riscos severos. Manipulações agressivas em animais pequenos, coelhos ou cães com doença do disco intervertebral podem causar danos graves. Intervenções inadequadas na região cervical podem levar a lesões na artéria vertebral, resultando em paraplegia, tetraplegia ou morte. Além disso, em casos de hérnias discais, tumores ou processos inflamatórios, a manipulação pode agravar a lesão e provocar complicações neurológicas.
A formação profissional também é ponto de conflito. Existem cursos de especialização nos Estados Unidos, Reino Unido e Espanha, com custos que superam 5 mil euros, mas tais qualificações não possuem caráter oficial em território espanhol. A disputa se estende à competência técnica, com a Associação Espanhola de Veterinários Especialistas em Reabilitação e Fisiatria (AEVEFI) defendendo a prática, enquanto a Associação de Veterinários Espanhóis Especialistas em Pequenos Animais (AVEPA) não promove a técnica por falta de evidências científicas.
O maior risco apontado por veterinários é a substituição de tratamentos médicos comprovados pela quiroprática. A terapia é frequentemente vendida como alternativa a cirurgias ou medicamentos, o que pode levar ao atraso de intervenções essenciais e seguras, comprometendo a saúde do animal em favor de um efeito placebo para o proprietário.