Dependência de dados de dispositivos vestíveis pode gerar ansiedade em parte dos usuários
O uso de dispositivos vestíveis para monitoramento de saúde pode gerar ansiedade quando há divergência entre os dados do aparelho e a percepção sensorial do usuário. Um estudo com 500 pessoas confirmou que leituras interpretadas como anormais causam sentimentos ansiosos e dependência tecnológica. A recomendação para mitigar esses impactos é a moderação no uso das ferramentas
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O uso de dispositivos vestíveis para monitorar a frequência cardíaca, a qualidade do sono e os níveis de atividade física tem se tornado comum entre milhões de pessoas. Embora essas ferramentas sejam úteis para identificar problemas de saúde que passariam despercebidos, a dependência de dados objetivos pode gerar consequências negativas para o bem-estar psicológico de parte dos usuários.
A ansiedade surge frequentemente devido a uma incompatibilidade entre a percepção sensorial do indivíduo e a leitura indicada pelo aparelho. O cérebro humano opera por meio de previsões constantes, criando modelos mentais sobre como o corpo deve se comportar em diferentes estados, como repouso ou atividade. Quando há uma divergência entre essa expectativa interna e a informação recebida, o organismo geralmente ajusta o modelo automaticamente. No entanto, quando essa discrepância se torna consciente, o usuário tende a buscar explicações.
Diferente de sensações físicas subjetivas, que podem ser atribuídas a fatores simples como o consumo de café, as leituras de smartwatches são percebidas como precisas e objetivas. Isso faz com que o usuário atribua maior peso ao dado do dispositivo do que ao próprio bem-estar. Um exemplo ocorre quando alguém se sente plenamente disposto após uma caminhada, mas entra em pânico ao ler uma frequência cardíaca de 130 bpm no relógio, ignorando que a altitude pode ser a causa real daquela variação.
Pesquisas realizadas durante a pandemia de Covid-19 indicam que pessoas com tendência à ansiedade monitoram seus estados corporais com maior frequência, utilizando medidas objetivas, como a temperatura, como forma de reduzir a incerteza. Esse comportamento cria um ciclo bidirecional: a ansiedade aumenta a atenção aos sinais do corpo, e a hipervigilância corporal, por sua vez, eleva a ansiedade. A redução dessa busca por segurança, geralmente via terapia, costuma diminuir os sintomas ansiosos.
Um estudo com cerca de 500 usuários de smartwatches confirmou que dados fisiológicos interpretados como anormais geram sentimentos de ansiedade. Alguns participantes relataram dependência do monitoramento, sentindo frustração ao esquecer ou ser impedidos de usar o aparelho, o que levou alguns a considerar o abandono total da tecnologia.
Esse efeito é especialmente pronunciado em indivíduos propensos a transtornos de ansiedade ou em quadros onde o monitoramento excessivo é mal-adaptativo, como em distúrbios alimentares. Para mitigar esse impacto, a recomendação é a moderação. Caso o foco nos dados supere a percepção do bem-estar, sugere-se desligar o dispositivo ou ocultar as informações por um período para priorizar a percepção sensorial do próprio corpo.