Saúde

Desinformação sobre a menopausa pode levar a diagnósticos incorretos e ao uso indevido de medicamentos

07 de Junho de 2026 às 06:07

A expansão do mercado de menopausa e perimenopausa promove a propagação de desinformações e a medicalização precoce do processo. Especialistas alertam para o risco de diagnósticos incorretos e a atribuição de sintomas do envelhecimento natural a causas hormonais

Desinformação sobre a menopausa pode levar a diagnósticos incorretos e ao uso indevido de medicamentos
Divulgação

O mercado voltado para a menopausa e a perimenopausa movimenta centenas de bilhões de dólares em serviços, medicamentos, consultas e procedimentos. Embora a maior conscientização sobre essa fase e a segurança da terapia de reposição hormonal (TRH) sejam avanços positivos, a expansão desse setor trouxe a propagação de informações enganosas em redes sociais. Esse cenário pode induzir mulheres a conclusões equivocadas, mascarando problemas de saúde reais.

A menopausa, caracterizada pela ausência de menstruação por 12 meses, atinge mais de 80% das mulheres até os 54 anos, sendo que 5% chegam a esse estágio antes dos 45. Precedendo esse marco está a perimenopausa, período de flutuações hormonais que pode durar meses ou anos e impactar a qualidade de vida.

Contudo, há um risco crescente de diagnósticos incorretos. A percepção atual sugere que qualquer queixa entre os 40 e 60 anos seja decorrente da menopausa ou perimenopausa, tornando a TRH indispensável, embora a reposição não seja indicada para quem não necessita dela. Channa Jayasena, especialista em endocrinologia reprodutiva no Imperial College London, observa que, enquanto alguns médicos ignoram a gravidade dos sintomas, outras mulheres são erroneamente rotuladas na perimenopausa quando possuem outras patologias. Janice Rymer, professora de obstetrícia e ginecologia do King's College London, pontua que a perimenopausa não ocorre se a mulher ainda menstrua regularmente de forma natural. A desinformação sobre o tema pode levar mulheres férteis a interromperem o uso de contraceptivos por acreditarem que não são mais necessários.

Paralelamente, a organização PharmedOut, vinculada ao Centro Médico da Universidade de Georgetown, denuncia a medicalização precoce desse processo. Em artigo publicado na revista STAT, Adriane Fugh-Berman e Patricia Bencivenga afirmam que a indústria tenta vender a ideia de que as mulheres são governadas por hormônios, expandindo a medicalização da menopausa para a faixa dos 30 anos sob a justificativa de que desequilíbrios hormonais prejudicariam a saúde física, mental e cognitiva.

As especialistas defendem que a maior parte dos sintomas atribuídos à perimenopausa decorre do envelhecimento natural. Essa tese é sustentada por estudos: em 1994, pesquisadores holandeses notaram que homens e mulheres na meia-idade compartilhavam a maioria dos sintomas, com exceção do suor excessivo. Em 2018, cientistas coreanos confirmaram a tendência, identificando que ambos os gêneros apresentam queixas semelhantes nessa fase, como aumento da circunferência abdominal, diminuição do desejo sexual, suor e esquecimentos.

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