Saúde

Disfunção temporomandibular atinge cerca de 33,6% da população brasileira segundo meta-análise

12 de Outubro de 2026 às 06:01 3 min de leitura

A disfunção temporomandibular (DTM) afeta cerca de 33,6% dos brasileiros e possui forte ligação com a enxaqueca. O diagnóstico é clínico e o controle de até 90% dos casos ocorre via abordagens não invasivas conduzidas por dentistas especializados

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Disfunção temporomandibular atinge cerca de 33,6% da população brasileira segundo meta-análise
Arquivo Pessoal

A disfunção temporomandibular (DTM), um conjunto de distúrbios que afeta a articulação temporomandibular (ATM), os músculos da mastigação e estruturas como ligamentos, ossos e cartilagens, atinge cerca de 33,6% da população brasileira, conforme aponta uma meta-análise com mais de 6 mil participantes. A condição é frequentemente subdiagnosticada, levando pacientes a buscarem diversos especialistas e utilizarem analgésicos por anos antes de identificarem a causa real dos sintomas.

Um caso emblemático é o da fisioterapeuta Jéssica Pasquale. Aos 28 anos, ela foi internada em uma UTI em São Paulo com suspeita de acidente vascular cerebral (AVC) após acordar com dormência em um lado do rosto. Embora o AVC tenha sido descartado, a causa do formigamento e de dores que a acompanhavam desde os 14 anos — iniciadas após uma cirurgia para tratar um canino retido no palato — permaneceu incerta.

Jéssica enfrentou crises intensas, dificuldades para abrir a boca, alterações no sono e a necessidade de adaptar a alimentação para alimentos moles. O quadro a forçou a interromper o trabalho por três meses. O diagnóstico de DTM só ocorreu após a sugestão de uma amiga, revelando que a origem de seus sintomas estava na mandíbula.

Relação com enxaqueca e riscos do autotratamento

A conexão entre a DTM e a enxaqueca é significativa. Dados de uma revisão da Unesp de Araraquara, publicada em 2026, indicam que pessoas com enxaqueca têm seis vezes mais chances de desenvolver a disfunção. Inversamente, quem possui DTM apresenta um risco 2,6 vezes maior de sofrer com enxaquecas.

A ausência de um marcador biológico específico torna o diagnóstico estritamente clínico, baseado no exame físico e no histórico do paciente, podendo ser complementado por exames de imagem e auxílio de inteligência artificial. A demora na identificação correta pode levar ao uso excessivo de medicamentos, resultando em cefaleia crônica diária por uso excessivo de medicação.

Sintomas e causas comuns

Embora o bruxismo seja uma das principais causas da DTM, as duas condições não são sinônimos, existindo pacientes com a disfunção que não apresentam bruxismo e vice-versa. A DTM pode ser classificada como muscular, articular ou mista, podendo estar associada a quadros de dor crônica, como a fibromialgia, além de transtornos afetivos e problemas de sono.

Os principais sinais de alerta incluem:

  • Dores de cabeça, na nuca, nos ombros e no fundo dos olhos;
  • Zumbido e vertigem;
  • Estalos articulares e dificuldade para abrir a boca.

Tratamento e controle da disfunção

A DTM não tem cura, mas é controlável. Simone Carrara, da Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (SBDOF), ressalta que até 90% dos casos podem ser resolvidos com abordagens não invasivas em consultório. O tratamento deve ser conduzido por um dentista especializado em DTM e dor orofacial.

As opções terapêuticas incluem:

  • Placas interoclusais (geralmente personalizadas);
  • Fisioterapia, exercícios e eletroterapia;
  • Laser, ultrassom e, em casos específicos, pequenas infiltrações.

Há um alerta contra cirurgias desnecessárias, muitas vezes motivadas por coberturas de planos de saúde que priorizam cirurgiões buco-maxilo-faciais em detrimento do atendimento odontológico especializado.

No caso de Jéssica Pasquale, o tratamento combinou placa interoclusal, fisioterapia, laser e ultrassom. A melhora mais expressiva ocorreu nos primeiros três meses, eliminando as crises de enxaqueca e a dependência de medicamentos. Atualmente, aos 33 anos, ela mantém a rotina de atividades físicas e utiliza a placa para controlar a sobrecarga na articulação.

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