Saúde

Dramaturgo Benedito Ruy Barbosa falece aos 95 anos em decorrência de insuficiência renal crônica

07 de Julho de 2026 às 12:06

O dramaturgo Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos nesta terça-feira (7), em São Paulo. A causa do óbito foi insuficiência renal crônica

O dramaturgo Benedito Ruy Barbosa faleceu nesta terça-feira (7), aos 95 anos, em decorrência de insuficiência renal crônica. O escritor, autor de obras como "Pantanal", "O Rei do Gado" e "Renascer", estava internado no hospital Hcor, em São Paulo, onde enfrentava a patologia há três anos e apresentava um histórico de reinternações devido a infecções recorrentes no trato urinário.

A insuficiência renal crônica integra o quadro de doença renal crônica (DRC), caracterizada por alterações na estrutura ou no funcionamento dos rins por um período superior a três meses. De acordo com o Ministério da Saúde, a condição costuma evoluir de forma silenciosa e prolongada, muitas vezes sendo diagnosticada apenas quando a perda da função renal já é significativa, pois os estágios iniciais são assintomáticos.

Os rins atuam como filtros do organismo, eliminando substâncias desnecessárias e equilibrando sais minerais e líquidos. Quando essa função é comprometida, resíduos como ureia, creatinina e potássio acumulam-se no sangue, o que pode provocar náuseas, cansaço, inchaço, anemia, alterações na pressão arterial e arritmias. Além disso, a falha renal impacta a saúde óssea e a produção de glóbulos vermelhos, já que o rim é um órgão endócrino responsável pela produção de eritropoetina e pela ativação da vitamina D.

A gravidade da DRC é mensurada pela taxa de filtração glomerular (TFG). O Ministério da Saúde divide a doença em cinco estágios: os níveis 1 e 2 representam alterações iniciais; o estágio 3 indica redução moderada; o 4 caracteriza perda grave; e o estágio 5 é a fase mais avançada. Clinicamente, a função renal nos estágios iniciais oscila entre 60% e 40%. Quando a função cai abaixo de 30%, entra-se no estágio 4 e, abaixo de 15%, no estágio 5.

Para pacientes com menos de 10% de função renal ou com creatinina em torno de seis miligramas por decilitro, torna-se necessária a terapia renal substitutiva, como a hemodiálise, a diálise peritoneal ou o transplante renal — modalidades oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A hemodiálise, que exige em média três sessões semanais de 3h30 a 4h, substitui parcialmente a filtração, mas não a função endócrina, exigindo a reposição de calcitriol (vitamina D ativa) e eritropoetina.

As principais causas da perda avançada da função renal são a hipertensão arterial e o diabetes mellitus, que danificam os vasos sanguíneos e as estruturas de filtração. Outras origens incluem doenças genéticas, como a doença policística, glomerulonefrites (causadas por problemas renais ou autoimunes, como o lúpus), além de cálculos renais e infecções urinárias altas.

O diagnóstico precoce pode ser feito com exames simples, como a dosagem de creatinina no sangue, ultrassonografia e a análise de albumina na urina — sendo indicativo de DRC a perda superior a 30 miligramas de albumina por dia. Para a confirmação, é necessário que as alterações persistam por três meses ou mais.

Embora a insuficiência renal crônica geralmente não tenha cura, o tratamento visa controlar a causa, evitar novas lesões e retardar a progressão da doença por meio de medicamentos, controle rigoroso do diabetes e da hipertensão, cessação do tabagismo e prática de atividades físicas. O uso indiscriminado de anti-inflamatórios, como o diclofenaco, é contraindicado, pois pode agravar a perda da função renal.

A DRC representa um desafio crescente para a saúde pública devido ao envelhecimento populacional. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 10% da população global seja afetada. No Brasil, a prevalência entre adultos é de 6,7%, chegando a triplicar em pessoas com 60 anos ou mais. Dados do Ministério da Saúde mostram que os atendimentos na Atenção Primária à Saúde saltaram de 74 mil registros em 2019 para mais de 188 mil em 2023, com a maioria dos casos concentrada na faixa etária entre 50 e 79 anos. As internações também cresceram, subindo de 84,3 mil em 2010 para 140,6 mil em 2023. Para pacientes em diálise, as principais causas de óbito são doenças cardiovasculares e infecções, devido à imunidade reduzida.

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