Enfermeira do Distrito Federal morre após reação alérgica a frutos do mar em Portugal
A enfermeira Amanda Marinho Nascimento morreu em Portugal na última quarta-feira (21) após sofrer uma anafilaxia provocada por frutos do mar. A profissional, que trabalhava em uma UTI no Distrito Federal, apresentou a reação alérgica cerca de duas horas após almoçar em um restaurante
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A morte de Amanda Marinho Nascimento, enfermeira do Distrito Federal que trabalhava em uma UTI em Taguatinga, durante a lua de mel em Portugal, acende um alerta sobre a gravidade da anafilaxia. A profissional, que possuía alergia a frutos do mar, faleceu na última quarta-feira (21) após almoçar em um restaurante. De acordo com relatos familiares, Amanda acreditou que o prato servido era peixe, mas a reação alérgica manifestou-se cerca de duas horas após a refeição, enquanto visitava pontos turísticos.
O quadro de anafilaxia é uma emergência médica caracterizada por uma resposta imunológica intensa, na qual o organismo identifica proteínas do alimento como ameaças e libera substâncias como a histamina. Esse processo pode desencadear a dilatação dos vasos sanguíneos, queda brusca da pressão arterial e o estreitamento das vias respiratórias, podendo levar à parada cardiorrespiratória em poucos minutos.
Riscos e a invisibilidade dos sintomas
Um dos pontos mais críticos da alergia a camarão é que a gravidade de uma reação não pode ser prevista com base em exames ou no histórico do paciente. Mesmo pessoas que consumiram o alimento por anos podem desenvolver a alergia posteriormente, devido a um processo chamado sensibilização, no qual o corpo produz anticorpos IgE silenciosamente antes de manifestar a primeira reação clínica.
Além disso, a exposição não precisa ocorrer via ingestão direta do ingrediente principal. O chamado contato cruzado — quando alimentos são preparados na mesma chapa, no mesmo óleo ou com utensílios compartilhados — pode transferir proteínas alergênicas para pratos aparentemente seguros, como um peixe grelhado.
Outro fator de risco é a ausência de sinais cutâneos. Entre 10% e 20% dos casos de anafilaxia não apresentam coceira, inchaço ou manchas vermelhas na pele, manifestando-se diretamente através de:
- Dificuldade respiratória, tosse persistente ou voz rouca;
- Sensação de fechamento da garganta e inchaço da língua;
- Tontura intensa, fraqueza súbita ou desmaios;
- Vômitos repetidos.
Fatores de agravamento e predisposição
A predisposição para alergias alimentares pode ter componentes familiares, embora a alergia a crustáceos não seja transmitida diretamente de pais para filhos. Indivíduos com histórico de asma, rinite ou dermatite atópica são mais vulneráveis. A gravidade do quadro pode ser intensificada por fatores como:
- Asma não controlada;
- Consumo de bebidas alcoólicas ou prática de exercícios físicos;
- Presença de infecções ou uso de certos medicamentos;
- Demora na administração de adrenalina.
Protocolos de emergência e tratamento
A adrenalina é o único medicamento capaz de reverter a queda de pressão e a obstrução das vias aéreas em casos de anafilaxia. Ela deve ser administrada por via intramuscular na parte externa da coxa imediatamente após a suspeita do quadro.
É fundamental destacar que antialérgicos comuns (como a fexofenadina), corticoides ou broncodilatadores não substituem a adrenalina, pois não tratam as alterações sistêmicas fatais da reação. O uso de comprimidos antialérgicos para "ganhar tempo" é considerado um erro perigoso.
Orientações para socorro imediato:
- Utilizar a caneta autoinjetável de adrenalina, se disponível.
- Acionar o serviço de emergência (Samu 192, no Brasil).
- Manter a pessoa deitada. Se houver dificuldade respiratória, sentá-la com as pernas estendidas.
- Evitar que o paciente caminhe ou se levante para não agravar a instabilidade circulatória.
- Buscar atendimento médico mesmo após a melhora dos sintomas.
Prevenção e diagnóstico
Para quem possui o diagnóstico, a prevenção exige rigor além da composição do prato. É necessário questionar restaurantes sobre a higienização de utensílios e a separação de óleos e chapas.
Quanto à diversidade de alimentos, a alergia a camarão (crustáceo) aumenta a chance de reação a lagostas e caranguejos devido à proteína tropomiosina. Cerca de 35% desses pacientes também reagem a moluscos (ostras, lulas), mas a alergia a peixes é distinta, permitindo, em muitos casos, o consumo de peixes, desde que não haja contato cruzado.
No Brasil, o acesso à proteção é dificultado pela ausência de autoinjetores de adrenalina em farmácias, tornando as famílias dependentes de importações onerosas. O diagnóstico preciso deve ser sempre conduzido por um alergista, pois exames positivos isolados não confirmam a alergia alimentar.