Saúde

Entidades médicas alertam sobre riscos de procedimentos de aumento peniano com ácido hialurônico

16 de Agosto de 2026 às 15:01

A aplicação de ácido hialurônico para aumento peniano cresce no Reino Unido entre homens de 20 a 72 anos. A Associação Britânica de Cirurgiões Urológicos alerta para a falta de dados de segurança e riscos como necrose e infecções. Na Inglaterra, a ausência de exigência de treinamento médico para o procedimento motiva pedidos de regulamentação do NHS

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Entidades médicas alertam sobre riscos de procedimentos de aumento peniano com ácido hialurônico
Getty Images/via BBC

A busca por padrões estéticos masculinos tem impulsionado o crescimento de procedimentos de aumento peniano, especialmente através de técnicas não cirúrgicas. Entre as opções mais procuradas está a aplicação de ácido hialurônico, uma substância gelatinosa e molécula de açúcar natural do corpo que retém água, utilizada para ampliar a circunferência do órgão.

No Reino Unido, a demanda por esse serviço tem abrangido diversas faixas etárias, com pacientes desde os 20 até os 72 anos. O procedimento consiste na aplicação de três injeções de preenchimento — na glande e nas laterais — utilizando uma cânula que percorre a haste. Após a aplicação, o material é massageado para garantir a uniformidade do resultado.

Riscos e complicações médicas

Apesar da popularidade, a prática gera alertas rigorosos de entidades médicas. A Associação Britânica de Cirurgiões Urológicos, após analisar 36 estudos com 3.750 homens, afirmou que o perfil de segurança dessas intervenções ainda não está claro, principalmente devido à escassez de dados sobre os efeitos a longo prazo.

As complicações podem variar de sintomas leves a quadros graves:

  • Efeitos comuns: Dor, hematomas e irregularidades no preenchimento.
  • Complicações severas: Infecções e danos a vasos sanguíneos e estruturas vitais essenciais para a ereção.
  • Casos críticos: Ocorrências de necrose da pele, onde a área afetada escurece e descama, exigindo atendimento imediato em pronto-socorro.

Além dos preenchimentos, existem métodos cirúrgicos, como o corte do ligamento que prende o pênis ao osso púbico para aumentar a aparência do comprimento, ou a injeção de células de gordura do próprio paciente. Tais intervenções podem resultar em dores intensas e dificuldades de locomoção durante a recuperação.

Regulamentação e segurança do paciente

Um dos pontos centrais de preocupação é a falta de fiscalização. Na Inglaterra, legalmente, não é exigido treinamento médico para a realização de preenchimentos penianos, o que permite que profissionais sem a devida qualificação ofereçam o serviço. Em contrapartida, no Brasil, a Sociedade Brasileira de Urologia estabelece que apenas médicos registrados no Conselho Regional de Medicina podem executar tais procedimentos.

Especialistas do sistema público de saúde do Reino Unido (NHS) defendem a urgência de uma regulamentação do setor, sugerindo a criação de um registro nacional para documentar as intervenções e coletar dados que permitam aos pacientes tomar decisões informadas sobre riscos e benefícios.

Impacto psicológico e custos

A motivação para a busca por esses procedimentos frequentemente está ligada a pressões sociais e influências da indústria pornográfica, que moldam a percepção de masculinidade e beleza. O custo de tais intervenções na Inglaterra pode chegar a £ 3.500, com a promessa de um aumento na circunferência entre 10% e 20% em um período de seis a nove meses.

Enquanto alguns pacientes relatam ganho de autoconfiança e satisfação com a simetria alcançada, a comunidade médica alerta que a expectativa de um resultado ideal pode levar a frustrações profundas quando ocorrem intercorrências clínicas.

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