Saúde

Estados Unidos criam programa de triagem anual para identificar deficiência de testosterona entre militares

17 de Julho de 2026 às 06:09

O governo dos Estados Unidos implementou a triagem anual de deficiência de testosterona para militares com 30 anos ou mais. A medida, anunciada pelo Secretário da Guerra Pete Hegseth, torna o exame obrigatório para essa faixa etária e voluntário para os demais

Estados Unidos criam programa de triagem anual para identificar deficiência de testosterona entre militares
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O governo dos Estados Unidos, por meio do Secretário da Guerra, Pete Hegseth, anunciou a criação de um programa de triagem anual para identificar a deficiência de testosterona entre as tropas. A iniciativa visa garantir que os militares operem em seu desempenho máximo e será integrada aos exames médicos obrigatórios para profissionais com 30 anos ou mais. Militares abaixo dessa faixa etária poderão realizar os testes de forma voluntária, assim como a adesão à terapia de reposição hormonal.

A medida alinha-se a um movimento mais amplo da administração Trump, no qual autoridades como o Secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., defendem a facilitação do acesso a essas terapias. Recentemente, a FDA propôs a flexibilização das restrições para a prescrição de testosterona em formatos de injeções, adesivos, comprimidos e géis.

Indicações e diagnóstico clínico

Apesar da tendência de popularização do hormônio, a reposição não é indicada para todos. O procedimento exige um diagnóstico rigoroso, combinando avaliações clínicas e laboratoriais. A suplementação é recomendada apenas quando há a constatação de hipogonadismo — condição em que a glândula pituitária ou os testículos não produzem hormônio suficiente —, ou em casos de síndromes genéticas que afetem essa produção.

Para que a terapia seja indicada, o paciente deve apresentar níveis consistentemente baixos de testosterona em exames de sangue, acompanhados de sintomas como:
* Fadiga e cansaço;
* Irritabilidade;
* Diminuição da libido.

No público feminino, a reposição é voltada para mulheres com diagnóstico de desejo sexual hipoativo (DSH), caracterizado pela cessação ou redução do desejo sexual por um período superior a seis meses.

Funções hormonais e riscos do uso indevido

A testosterona atua no desenvolvimento de características sexuais, massa muscular, sistema ósseo e metabolismo. Nas mulheres, produzida nos ovários e glândulas adrenais, o hormônio influencia o humor, a energia, a saúde óssea e a libido, embora em níveis significativamente menores que nos homens.

O uso da substância sem indicação médica, especialmente para fins estéticos ou de vigor físico, apresenta riscos graves. No Brasil, o uso de implantes conhecidos como "chips da beleza" é proibido.

A suplementação desnecessária pode causar danos severos à saúde:

Nos homens:
* Hipertrofia da musculatura cardíaca e alterações hepáticas;
* Infertilidade (especialmente entre 40 e 55 anos);
* Acne e queda de cabelo;
* Agravamento de câncer de mama ou de próstata em pacientes já diagnosticados.

Nas mulheres:
* Processos de masculinização, como aumento de pelos faciais e engrossamento da voz;
* Alterações no humor e elevação dos níveis de colesterol.

A reposição hormonal é capaz de elevar a qualidade de vida quando há deficiência real, mas a suplementação deve ocorrer apenas quando os benefícios superam os riscos e sob rigorosa orientação médica.

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