Saúde

Estados Unidos registram a maior letalidade por sarampo desde 1992 com seis mortes em 2026

03 de Novembro de 2026 às 18:01 4 min de leitura

Uma criança morreu por sarampo no Condado de Lewis, Nova York, elevando para seis os óbitos pela doença nos Estados Unidos em 2026. O país registra 4.852 casos este ano, enquanto o estado de Nova York contabiliza 178 ocorrências

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Estados Unidos registram a maior letalidade por sarampo desde 1992 com seis mortes em 2026
Reprodução

A morte de uma criança no Condado de Lewis, ao norte do estado de Nova York, marca o primeiro óbito por sarampo naquela região em mais de três décadas. O caso eleva para seis o número de mortes pela doença nos Estados Unidos em 2026, consolidando o pior índice de letalidade registrado no país desde 1992.

O registro ocorre quatro semanas após a declaração de emergência em Nova York e estados vizinhos. Somente em 2026, o estado contabiliza 178 casos, dos quais oito foram identificados na cidade de Nova York. O cenário reflete uma tendência nacional de crescimento: os Estados Unidos somam 4.852 casos este ano, um salto expressivo frente aos 2.289 registrados no ano anterior.

Divergências em dados oficiais e influência política

Apesar dos registros estaduais, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), agência federal de saúde, reconhece oficialmente apenas três das mortes. Essa discrepância surgiu após questionamentos de Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde, que contesta a relação entre os óbitos e a doença.

Kennedy Jr. e o presidente Donald Trump têm associado publicamente a vacina MMR (tríplice viral) ao autismo, tese baseada em um estudo de 1998 já comprovado como fraudulento e refutado pela ciência global. Recentemente, Trump assinou um decreto que reduziu o número de vacinas obrigatórias de 17 para 11 e alterou a recomendação da MMR, priorizando doses separadas para sarampo, caxumba e rubéola em vez da dose combinada.

Queda na imunização e barreiras de acesso

A propagação do vírus é impulsionada por uma redução progressiva nas taxas de vacinação nos últimos seis anos. Para garantir a imunidade de rebanho e impedir a circulação de um dos vírus mais contagiosos do mundo, a cobertura vacinal deve ser superior a 95%. Atualmente, apenas 10 dos 49 estados avaliados mantêm esse patamar.

O declínio tornou-se mais acentuado entre 2020 e 2021, durante a pandemia de Covid-19, e não retornou aos níveis anteriores. O estado de Idaho apresenta a pior cobertura do país, situando-se quase 20 pontos percentuais abaixo do limite de segurança. Estima-se que 1,7 milhão de crianças não tenham sido vacinadas nos últimos sete anos, embora a descentralização do sistema de saúde privado possa mascarar números ainda maiores.

Além do movimento antivacina, o acesso ao imunizante é dificultado por fatores econômicos:

  • A vacina não é gratuita nos Estados Unidos.
  • A imunização depende de seguro saúde ou cobertura pelo Medicaid.
  • Cortes no Medicaid limitam a capacidade de controle de surtos.

Bolsões de vulnerabilidade

A análise de dados por condados revela que, mesmo em estados com médias altas de vacinação, como Califórnia e Novo México, existem "bolsões" de populações não vacinadas. Essa fragmentação permite que o vírus circule localmente e se espalhe.

Um exemplo crítico é a Pensilvânia, que possui 92,7% de cobertura vacinal, mas concentra o maior volume de casos e óbitos do país, com mais de 700 registros e cinco mortes, incluindo dois bebês. No ano letivo atual, a cobertura média entre crianças que ingressaram na pré-escola foi de 92,5%, o que significa que cerca de 284 mil crianças iniciaram os estudos sem as duas doses da tríplice viral.

Comparativo com o cenário brasileiro

No Brasil, a cobertura vacinal contra o sarampo também está abaixo do ideal, situando-se em menos de 80%. Contudo, o país registrou apenas 42 casos em 2026, a maioria no estado de São Paulo (36 casos), com ocorrências em São Bernardo do Campo, Guarulhos, Santo André e na capital.

A diferença na propagação da doença, segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), reside na estrutura de resposta: o Brasil possui um sistema de vigilância constante e oferece a vacinação de forma gratuita. Após perder o certificado de eliminação do sarampo em 2019, o Brasil recuperou o status em 2024 por meio de ações de contenção epidemiológica.

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