Saúde

Estados Unidos registram surto de ciclosporíase com mais de 2,8 mil pessoas diagnosticadas

14 de Julho de 2026 às 09:23

Mais de 2,8 mil pessoas foram diagnosticadas com ciclosporíase nos Estados Unidos, com 86 hospitalizações e nenhum óbito. O CDC aponta casos em 31 estados, enquanto investigações em Michigan indicam o consumo de folhas cruas como possível causa

Estados Unidos registram surto de ciclosporíase com mais de 2,8 mil pessoas diagnosticadas
CDC via AP

As autoridades de saúde dos Estados Unidos enfrentam um dos maiores surtos de ciclosporíase dos últimos anos, com mais de 2,8 mil pessoas diagnosticadas. O Departamento de Saúde de Michigan registrou 2.640 casos, enquanto Ohio contabiliza outros 177. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) confirma ao menos 843 casos e suspeita de outros 1.500 distribuídos por 31 estados. Até o momento, 86 pacientes foram hospitalizados, sem registro de óbitos.

Investigação e origem do surto

As apurações iniciais em Michigan indicam que o consumo de alfaces e outras folhas cruas pode ser a causa do aumento das infecções. No entanto, a investigação permanece aberta e outros alimentos ainda não foram descartados. Até agora, não houve a identificação de um produtor rural, fornecedor ou tipo específico de hortaliça como a fonte definitiva da contaminação.

A identificação da origem da ciclosporíase é complexa devido a fatores técnicos e biológicos:
* Período de incubação: Os sintomas surgem cerca de duas semanas após a ingestão, dificultando a recordação do cardápio pelos pacientes.
* Limitações laboratoriais: O parasita não pode ser cultivado em laboratório, o que restringe a análise de amostras.
* Distribuição logística: Um único lote contaminado pode abastecer simultaneamente diversos restaurantes e supermercados em diferentes regiões.
* Componentes isolados: O agente contaminante costuma estar em itens específicos, como ervas frescas ou folhas de salada, diluindo-se em refeições completas.

A doença e seus sintomas

A ciclosporíase é provocada pelo protozoário Cyclospora cayetanensis, um parasita microscópico que atinge o intestino após a ingestão de água ou alimentos contaminados. O quadro clínico é caracterizado principalmente por diarreia aquosa intensa, que pode apresentar episódios explosivos. Outros sintomas incluem:
* Cólicas abdominais e náuseas;
* Fadiga e mal-estar geral;
* Perda de peso e de apetite.

O tratamento é realizado com antibióticos. Caso não seja tratado, o paciente pode enfrentar semanas ou meses de sintomas intermitentes. O parasita é eliminado através das fezes e a contaminação geralmente ocorre via água utilizada na irrigação ou lavagem de frutas e hortaliças.

Histórico e tendências

Embora seja menos frequente que infecções por Salmonella ou E. coli, a ciclosporíase cresceu nos Estados Unidos na última década, tendência atribuída a mudanças climáticas e ao aprimoramento dos diagnósticos.

Anteriormente, surtos foram vinculados a saladas prontas, coentro, manjericão e framboesas. Em 2019, o consumo de manjericão vindo do México causou mais de 2.400 casos. Em 1997, framboesas da Guatemala afetaram mais de mil pessoas entre Estados Unidos e Canadá.

Orientações de prevenção

Enquanto a fonte atual não é precisada, as autoridades de Michigan recomendam que consumidores, cozinhas comerciais e restaurantes cozinhem alimentos sempre que possível ou realizem a higienização rigorosa de ervas frescas, ervilhas-tortas, framboesas e folhas verdes.

Para o consumo de alfaces, a recomendação é:
1. Optar por pés inteiros em vez de misturas prontas ou folhas já lavadas e embaladas;
2. Descartar as duas ou três folhas externas;
3. Lavar as folhas restantes em água corrente.

As autoridades alertam que a lavagem reduz os riscos, mas não elimina totalmente a contaminação, pois o parasita pode aderir à superfície dos alimentos. Pessoas com diarreia persistente devem buscar assistência médica imediata.

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