Estresse causado por preconceito provoca impactos neurológicos em populações vulneráveis, afirma psiquiatra no Neuro 2026
O psiquiatra Bernardo Rahe apresentou no evento Neuro 2026 como o preconceito gera impactos neurológicos e quadros de ansiedade e depressão. O profissional destacou que a prevalência do TEA chega a 11% entre pessoas com incongruência ou disforia de gênero
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A exposição prolongada ao estresse decorrente do preconceito provoca impactos neurológicos significativos, especialmente em populações vulneráveis. O tema foi central na palestra do psiquiatra e psicoterapeuta Bernardo Rahe durante o evento Neuro 2026, onde o profissional detalhou como a interseção entre a diferença e a discriminação resulta em experiências negativas que comprometem a saúde mental.
O ciclo do estresse e a saúde mental
O impacto do preconceito manifesta-se por meio de dois tipos de estressores que afetam o indivíduo de formas distintas:
- Estressores distais: referem-se a fatores externos, como a violência, o bullying, a rejeição, a discriminação e a existência de barreiras institucionais.
- Processos proximais: envolvem a dimensão interna e relacional, manifestando-se através da hipervigilância, do estigma internalizado, da ocultação da própria identidade e da expectativa constante de ser rejeitado.
Esses fatores convergem para desfechos clínicos graves, incluindo quadros de ansiedade e depressão, exaustão, isolamento social e a redução na busca por assistência médica ou psicológica.
O custo da adaptação e a neurodivergência
Um ponto crítico abordado é o masking, ou camuflagem, processo em que o indivíduo tenta garantir sua segurança e aceitação social. Embora essa estratégia possa transparecer como alta funcionalidade ou boa adaptação, ela esconde um custo invisível caracterizado por esforço constante, ausência de suporte e exaustão profunda.
A análise de Rahe também destacou a correlação entre a identidade de gênero e a neurodivergência. Enquanto a prevalência do Transtorno do Espectro Autista (TEA) na população geral é estimada entre 1% e 2%, esse índice sobe para 11% entre pessoas com incongruência ou disforia de gênero.
Barreiras à existência e acolhimento
A dificuldade de inserção social varia conforme a natureza da diversidade. Pessoas neurodivergentes enfrentam a infantilização, a comunicação não adaptada, regras implícitas e barreiras sensoriais. Já a população LGBTQIA+ lida com a invalidação de sua identidade e a rejeição impostas pela cisheteronormatividade — sistema que estabelece a heterossexualidade e a cisgeneridade (identificação com o gênero atribuído no nascimento) como as únicas formas legítimas de existência.