Saúde

Estudo associa perda de cabelo ao uso de medicamentos para emagrecimento como Ozempic e Mounjaro

23 de Julho de 2026 às 07:32

Estudo da Universidade George Washington com 550 mil pacientes associou o uso de agonistas de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, à queda capilar. O fenômeno ocorre devido ao estresse calórico e à perda de peso acelerada, afetando cerca de 80% dos usuários de tirzepatida

Estudo associa perda de cabelo ao uso de medicamentos para emagrecimento como Ozempic e Mounjaro
Adobe Stock

O uso de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como Mounjaro (tirzepatida), Ozempic e Wegovy, tem sido associado a um aumento nos relatos de queda capilar. Um estudo da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, analisou dados de aproximadamente 550 mil pacientes, com idades entre 12 e 89 anos, acompanhados entre 2014 e 2024, confirmando a relação entre essas substâncias e a perda de fios, independentemente de fatores clínicos ou demográficos.

A investigação foi motivada pelo crescimento das queixas de pacientes, já que os ensaios clínicos iniciais desses fármacos não haviam destacado esse efeito adverso.

Causas da perda capilar

A evidência indica que a queda não é causada por toxicidade direta do medicamento no folículo piloso, mas sim por fatores metabólicos. O organismo, ao enfrentar uma restrição calórica severa e perda de peso acelerada, entra em um estado de privação. Para garantir a sobrevivência, o corpo prioriza o funcionamento de órgãos vitais — como coração, rins, pulmões e cérebro — e interrompe atividades secundárias, como o crescimento dos cabelos.

O estudo identificou dois tipos principais de queda:

  • Eflúvio telógeno: a forma mais comum, geralmente temporária e desencadeada pelo estresse metabólico da perda rápida de peso.
  • Alopecia androgenética: condição genética que pode ter sua progressão acelerada durante o processo de emagrecimento.

Impacto clínico e frequência

A intensidade da queda está diretamente ligada à velocidade do emagrecimento e às doses utilizadas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Tricologia, a perda de cabelo tornou-se um dos principais motivos de consulta, com cerca de 80% dos pacientes que utilizam tirzepatida relatando afinamento ou queda intensa dos fios.

Um acompanhamento com 618 pacientes sem doenças prévias no couro cabeludo demonstrou que a queda ocorreu mesmo em casos onde os nutrientes e vitaminas estavam equilibrados, o que reforça a tese de que o estresse calórico é o principal mecanismo envolvido.

Prevenção e orientações

Embora a queda possa ser assustadora, ela pode ser mitigada com acompanhamento médico e nutricional desde o início do tratamento. Pacientes com deficiência de ferro, baixa ingestão de proteínas, alterações na tireoide ou carências nutricionais apresentam maior risco.

Para reduzir as chances de desenvolver o quadro, as recomendações incluem:

  • Manter a ingestão adequada de proteínas;
  • Assegurar níveis saudáveis de ferritina, vitamina D e vitamina B12;
  • Evitar a perda de peso excessivamente rápida;
  • Não alterar a dose do medicamento sem orientação médica.

Sobre o uso de Minoxidil, a indicação é restrita a casos específicos, como a alopecia androgenética ou quedas persistentes, pois o fármaco não interrompe o eflúvio telógeno e pode, inclusive, intensificar a queda nas primeiras semanas de uso.

Perspectivas de recuperação

Na maioria dos casos, o quadro de eflúvio telógeno melhora espontaneamente assim que o peso se estabiliza. No entanto, se a queda persistir por mais de três a seis meses, é necessária uma investigação para descartar eflúvio crônico ou outras doenças capilares.

Os pesquisadores ressaltam que a interrupção do medicamento pode não cessar a queda imediatamente, pois o processo segue seu curso natural após ter sido desencadeado. Portanto, a suspensão do tratamento deve ser decidida com o médico, considerando que os benefícios cardiovasculares e metabólicos dos agonistas de GLP-1 continuam sendo fundamentais para a saúde do paciente.

Notícias Relacionadas