Estudo indica que 28,3% de crianças e adolescentes em três estados apresentam hipertensão arterial
O projeto Brasil Coração Saudável identificou hipertensão arterial em 28,3% de 6.092 estudantes de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. O levantamento aponta que a prevalência da condição chega a 48,4% entre jovens com obesidade. Meninos de 15 a 18 anos registraram a maior proporção do problema, com 40,7%
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Cerca de 28,3% de crianças e adolescentes avaliados em escolas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo apresentam hipertensão arterial, segundo dados da primeira fase do projeto Brasil Coração Saudável. O levantamento, realizado entre junho e outubro de 2026 com 6.092 estudantes de 38 instituições, indica que a condição, comummente associada a adultos, também afeta a população jovem, enquanto outros 11,6% dos participantes foram classificados com pré-hipertensão.
Relação entre peso e pressão arterial
Os resultados apontam uma conexão expressiva entre o excesso de peso e a elevação da pressão arterial. Aproximadamente um terço dos estudantes apresenta sobrepeso (19,5%) ou obesidade (13,6%), incluindo a forma grave.
Entre os jovens de 7 a 18 anos com obesidade, a taxa de hipertensão chega a 48,4%, índice mais que duas vezes superior ao de estudantes com peso adequado (eutróficos), que registram 22,6%. Essa disparidade é ainda mais acentuada na faixa etária de 15 a 18 anos:
- Obesidade: 60,5% com hipertensão;
- Sobrepeso: 32,6% com hipertensão;
- Peso adequado: 23,4% com hipertensão.
A análise também considerou a adiposidade central (acúmulo de gordura abdominal). Estudantes com relação cintura/estatura acima de 0,5 apresentaram 40,6% de hipertensão, contra 24,4% daqueles com medidas adequadas. Quando a circunferência abdominal atingiu ou superou o percentil 90, a frequência de hipertensão subiu para 46,3%.
Diferenças por idade e sexo
A incidência de hipertensão variou conforme o perfil dos estudantes. A maior proporção foi identificada entre meninos de 15 a 18 anos (40,7%), seguidos por meninos menores de 7 anos (39,1%). Entre as meninas, as taxas foram de 28,6% e 30,2% nessas mesmas faixas etárias, respectivamente.
Quanto à pré-hipertensão, a prevalência geral foi de 12,6% nos meninos e 10,7% nas meninas, com pico de 21,9% entre os rapazes de 15 a 18 anos.
O estudo também registrou a progressão da pressão arterial média conforme a idade:
- Pressão sistólica (máxima): Nos meninos, subiu de 103,5 mmHg (7-10 anos) para 121,8 mmHg (15-18 anos). Nas meninas, passou de 103,6 mmHg para 112,6 mmHg.
- Pressão diastólica (mínima): Elevou-se de 66,3 mmHg para 72,7 mmHg nos meninos e de 66,3 mmHg para 71,9 mmHg nas meninas.
Estilo de vida e saúde mental
O levantamento revelou indicadores preocupantes sobre a rotina dos estudantes. Cerca de 59% passam três horas ou mais por dia diante de telas fora da escola, com média de 3,8 horas diárias. O celular (86%) e a televisão (80%) são os dispositivos mais utilizados.
Sobre a atividade física escolar, embora 93% dos alunos a pratiquem, a intensidade é baixa: 66,1% dedicam apenas uma a duas horas semanais a essas atividades.
No campo da saúde mental, aproximadamente um em cada oito estudantes relatou estresse intenso ou exagerado em casa (12,7%) e na escola (12,5%). O estresse moderado foi identificado em 26% dos casos no ambiente doméstico e 24% no escolar.
Saúde espiritual e bem-estar
A pesquisa utilizou o instrumento PRIMA para avaliar a saúde espiritual dos jovens. Os índices de concordância foram mais altos para a gratidão (93%), compaixão (87,5%) e altruísmo (86,4%). No entanto, 56,7% dos participantes admitiram sentir ressentimento por pessoas que os prejudicaram, e 45,8% afirmaram que a raiva prejudicou suas relações interpessoais.
Os dados são de natureza descritiva e baseiam-se em uma amostra específica, composta majoritariamente por estudantes do Rio Grande do Sul (3.059) e Minas Gerais (2.973), com 60 participantes de São Paulo. Por isso, as classificações de hipertensão não devem ser interpretadas como diagnósticos clínicos definitivos.