Saúde

Estudos indicam que até 40% dos casos de depressão apresentam sintomas atípicos e funcionais

17 de Outubro de 2026 às 15:01 3 min de leitura

A OMS indica que 322 milhões de pessoas possuem depressão, sendo que até 40% dos casos são atípicos e mantêm a funcionalidade social. Essa condição apresenta sintomas como hipersonia, aumento do apetite e anedonia, podendo ser tratada com psicoterapia e antidepressivos

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Estudos indicam que até 40% dos casos de depressão apresentam sintomas atípicos e funcionais
Getty Images via BBC

A depressão é frequentemente associada a quadros de prostração, choro constante e isolamento social. No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 322 milhões de pessoas no mundo convivem com a doença, e a manifestação dos sintomas pode ser drasticamente diferente do senso comum. Estudos indicam que até 40% dos casos apresentam uma forma atípica, na qual o indivíduo consegue manter a funcionalidade, a vida social ativa e o desempenho profissional, ocultando o sofrimento interno.

Esse fenômeno, popularmente chamado de "depressão sorridente", reflete a tentativa de mascarar emoções para se adaptar ao convívio social. Embora não seja um diagnóstico clínico oficial, o interesse pelo termo cresceu 50% nos últimos cinco anos. A condição se caracteriza por um contraste entre a aparência externa de felicidade e sentimentos internos de desânimo e vazio.

Sinais de alerta e a depressão atípica

Diferente do quadro clássico, a depressão atípica pode inverter sintomas comuns. Em vez de insônia ou perda de apetite, o paciente pode apresentar hipersonia (dormir mais que o habitual) e aumento na ingestão alimentar. Outro ponto distintivo é a capacidade de sentir melhora temporária no humor diante de eventos positivos.

Alguns sinais comportamentais e físicos indicam a necessidade de atenção:

  • Anedonia: a perda de prazer em atividades antes apreciadas, como hobbies ou encontros com amigos, que passam a ser vistas como obrigações.
  • Paralisia de chumbo: sensação de peso incomum nos braços e pernas, dificultando a movimentação.
  • Instabilidade social: cancelamento frequente de compromissos nos dias em que o esforço para esconder a tristeza se torna insustentável.
  • Exaustão persistente: cansaço extremo que não é resolvido com o sono, especialmente ao final do dia.
  • Hipersensibilidade: reações intensas a críticas ou rejeições, característica também encontrada no TDAH.
  • Autocrítica severa: pensamentos negativos constantes e sensação de desvalor, mesmo que a pessoa transmita confiança externamente.
  • Hiperfuncionalidade: a tendência de ser a pessoa mais prestativa ou engraçada do grupo como forma de camuflagem.

Riscos do mascaramento emocional

A dificuldade em admitir a vulnerabilidade pode ser impulsionada por altas expectativas pessoais, medo do estigma social ou receio de impactos na carreira e nos relacionamentos. Normas culturais e pressões familiares também dificultam a abertura sobre a saúde mental.

O esforço contínuo para manter as aparências isola o indivíduo, impedindo a conexão humana, que é fundamental para a recuperação. A ausência de tratamento precoce pode levar ao agravamento do quadro, transformando-o em uma condição crônica e elevando o risco de suicídio.

Caminhos para o tratamento

A superação do quadro envolve a quebra do silêncio e a busca por auxílio profissional. O tratamento eficaz geralmente combina a psicoterapia, o uso de antidepressivos e intervenções sociais.

Para quem apresenta sinais de alerta ou enfrenta crises, existem canais de suporte gratuito no Brasil:

  • CVV (Centro de Valorização da Vida): atendimento 24h pelo telefone 188, chat ou e-mail.
  • Unicef: chat "Pode Falar" para jovens de 13 a 24 anos.
  • Emergências: SAMU (192), Bombeiros (193) ou Polícia Militar (190).
  • Rede Pública: Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidades Básicas de Saúde (UBS) e UPAs 24h.
  • Suporte Especializado: Mapa da Saúde Mental (para encontrar atendimento gratuito) e a Abrases (apoio a sobreviventes enlutados por suicídio).

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