Saúde

Evento Neuro 2026 discute a relação entre a sobrecarga feminina e o risco de burnout

22 de Outubro de 2026 às 06:01 2 min de leitura

O evento Neuro 2026 discute a relação entre burnout feminino, sobrecarga social e saúde cerebral. O debate aborda a necessidade de políticas públicas para reduzir o esgotamento e a possibilidade de evitar até 59,5% dos casos de demência no Brasil através do controle de fatores de risco

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Sobrecarga feminina e a relação entre burnout e a saúde cerebral são temas centrais de discussões no evento Neuro 2026. A psicóloga e escritora Ana Luiza Novis destaca que o burnout em mulheres não se limita ao ambiente profissional, mas é resultado de uma sobrecarga que se inicia antes mesmo da jornada de trabalho, manifestando-se nas dimensões social, institucional e política.

Fatores institucionais e políticos do esgotamento

A análise aponta que as organizações possuem um vício de origem, pois foram estruturadas para profissionais sem responsabilidades de cuidado. Esse modelo ignora a realidade de quem possui filhos ou familiares enfermos e com declínio cognitivo, exigindo que essas demandas sejam invisibilizadas no ambiente corporativo.

Para mitigar esse cenário, a prevenção do burnout feminino requer a implementação de medidas estruturais e políticas públicas, tais como:

  • Ampliação da rede de creches;
  • Adoção de licença parental compartilhada;
  • Garantia de igualdade salarial;
  • Combate ao assédio e criação de ambientes psicologicamente seguros.

Prevenção de demências e a vulnerabilidade feminina

A saúde cognitiva das mulheres também apresenta dados críticos, sendo que dois terços dos pacientes com Doença de Alzheimer são do sexo feminino. A tendência é que países de média e baixa renda sejam os mais impactados pela enfermidade nos próximos anos.

Apesar do cenário, existe a possibilidade de prevenir 45,3% dos casos de demência globalmente por meio de 14 fatores de risco modificáveis. No Brasil, a eficácia dessas intervenções é ainda maior, podendo evitar até 59,5% dos casos.

Os fatores que podem ser controlados para proteger o cérebro incluem:

  • Saúde metabólica e física: controle de diabetes, hipertensão, obesidade, LDL (colesterol ruim) alto, sedentarismo e tabagismo;
  • Saúde mental e social: tratamento da depressão e combate ao isolamento social;
  • Fatores sensoriais e ambientais: correção de perda de visão, perda de audição e redução da exposição à poluição atmosférica;
  • Histórico e educação: elevação do nível de escolaridade e prevenção de lesões traumáticas no cérebro;
  • Hábitos: controle do consumo excessivo de álcool.

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