Evento Neuro 2026 discute a relação entre a sobrecarga feminina e o risco de burnout
O evento Neuro 2026 discute a relação entre burnout feminino, sobrecarga social e saúde cerebral. O debate aborda a necessidade de políticas públicas para reduzir o esgotamento e a possibilidade de evitar até 59,5% dos casos de demência no Brasil através do controle de fatores de risco
Sobrecarga feminina e a relação entre burnout e a saúde cerebral são temas centrais de discussões no evento Neuro 2026. A psicóloga e escritora Ana Luiza Novis destaca que o burnout em mulheres não se limita ao ambiente profissional, mas é resultado de uma sobrecarga que se inicia antes mesmo da jornada de trabalho, manifestando-se nas dimensões social, institucional e política.
Fatores institucionais e políticos do esgotamento
A análise aponta que as organizações possuem um vício de origem, pois foram estruturadas para profissionais sem responsabilidades de cuidado. Esse modelo ignora a realidade de quem possui filhos ou familiares enfermos e com declínio cognitivo, exigindo que essas demandas sejam invisibilizadas no ambiente corporativo.
Para mitigar esse cenário, a prevenção do burnout feminino requer a implementação de medidas estruturais e políticas públicas, tais como:
- Ampliação da rede de creches;
- Adoção de licença parental compartilhada;
- Garantia de igualdade salarial;
- Combate ao assédio e criação de ambientes psicologicamente seguros.
Prevenção de demências e a vulnerabilidade feminina
A saúde cognitiva das mulheres também apresenta dados críticos, sendo que dois terços dos pacientes com Doença de Alzheimer são do sexo feminino. A tendência é que países de média e baixa renda sejam os mais impactados pela enfermidade nos próximos anos.
Apesar do cenário, existe a possibilidade de prevenir 45,3% dos casos de demência globalmente por meio de 14 fatores de risco modificáveis. No Brasil, a eficácia dessas intervenções é ainda maior, podendo evitar até 59,5% dos casos.
Os fatores que podem ser controlados para proteger o cérebro incluem:
- Saúde metabólica e física: controle de diabetes, hipertensão, obesidade, LDL (colesterol ruim) alto, sedentarismo e tabagismo;
- Saúde mental e social: tratamento da depressão e combate ao isolamento social;
- Fatores sensoriais e ambientais: correção de perda de visão, perda de audição e redução da exposição à poluição atmosférica;
- Histórico e educação: elevação do nível de escolaridade e prevenção de lesões traumáticas no cérebro;
- Hábitos: controle do consumo excessivo de álcool.