Exames de sangue já detectam alterações do Alzheimer até 20 anos antes dos primeiros sintomas
Especialistas discutem o diagnóstico e tratamento de Alzheimer em conferência em Londres. O processo clínico prioriza a exclusão de causas reversíveis e o uso de exames, incluindo testes sanguíneos na rede privada. Fármacos que reduzem a proteína beta-amiloide estão disponíveis no Brasil e nos Estados Unidos
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A Conferência da Associação Internacional de Alzheimer reúne especialistas globais em Londres entre os dias 12 e 15 deste mês. No contexto do evento, o neurologista comportamental Jagan Pillai, diretor do Centro de Saúde do Cérebro da Cleveland Clinic, detalha a complexidade do diagnóstico de doenças neurodegenerativas.
O protocolo inicial para pacientes com prejuízo cognitivo consiste na identificação de causas reversíveis. Isso inclui a verificação de efeitos colaterais de medicamentos, quadros de depressão, diabetes não controlada ou transtornos reumatológicos que gerem inflamações significativas no organismo. Uma vez descartadas essas possibilidades, a investigação clínica avança com o apoio fundamental de familiares ou cuidadores, que fornecem a perspectiva de terceiros sobre a evolução do quadro do paciente.
Historicamente, a confirmação biológica do Alzheimer dependia de exames de PET cerebral ou análise do líquido espinhal. Por serem procedimentos de alto custo, a disponibilidade dessas ferramentas no SUS é restrita a centros de pesquisa de referência e hospitais universitários. Atualmente, a rede privada já oferece exames de sangue capazes de detectar alterações patológicas entre 15 e 20 anos antes do surgimento dos primeiros sintomas.
Quanto ao tratamento, existem fármacos aprovados no Brasil e nos Estados Unidos que reduzem a proteína beta-amiloide no cérebro, substância ligada ao risco da doença. Tais medicamentos não promovem a cura e apresentam eficácia reduzida em casos de demência moderada. Para avançar na prevenção, Bruce Miller, diretor do Centro de Memória e Envelhecimento da Universidade da Califórnia, em San Francisco, prevê a divulgação de estudos em 2027 focados em pessoas saudáveis que possuam depósitos de beta-amiloide, mas não manifestem sintomas. A meta é aplicar medicamentos precocemente para diminuir a concentração da proteína e retardar a progressão da enfermidade.