Exames de sangue podem detectar alterações ligadas ao Alzheimer até 20 anos antes dos sintomas
A Conferência da Associação Internacional de Alzheimer ocorre em Londres entre 12 e 15 deste mês. O evento discute diagnósticos de doenças neurodegenerativas e a aplicação de fármacos que reduzem a proteína beta-amiloide no cérebro. Estudos previstos para 2027 focarão na medicação precoce de pessoas saudáveis com depósitos dessa proteína
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A Conferência da Associação Internacional de Alzheimer reúne especialistas globais em Londres entre os dias 12 e 15 deste mês. O evento ocorre em um momento de discussões sobre a complexidade do diagnóstico de doenças neurodegenerativas, especialmente na diferenciação de quadros de cognição prejudicada.
Para o neurologista comportamental Jagan Pillai, diretor do Centro de Saúde do Cérebro da Cleveland Clinic, a prioridade médica deve ser a identificação de causas reversíveis. Isso inclui a verificação de efeitos colaterais de medicamentos, quadros de depressão, diabetes não controlados ou transtornos reumatológicos que gerem inflamações significativas no organismo. Caso essas possibilidades sejam descartadas, a investigação avança com o apoio de familiares ou cuidadores, cujo relato é essencial para fornecer a equipe de saúde a perspectiva de terceiros sobre a evolução do paciente.
Historicamente, o diagnóstico definitivo dependia de dois métodos principais: a análise do líquido espinhal ou o PET cerebral. Ambos são procedimentos de alto custo e, no Brasil, a disponibilidade no SUS é restrita a centros de pesquisa de referência ou hospitais universitários. Atualmente, surgiram exames de sangue capazes de detectar alterações biológicas entre 15 e 20 anos antes dos primeiros sintomas, embora essa tecnologia esteja disponível apenas na rede privada.
No campo terapêutico, Estados Unidos e Brasil já possuem remédios aprovados que reduzem a proteína beta-amiloide no cérebro, substância ligada ao risco de Alzheimer. Tais fármacos não promovem a cura e apresentam benefícios limitados para pacientes com demência moderada.
A perspectiva de novos avanços surge com estudos previstos para 2027, mencionados por Bruce Miller, diretor do Centro de Memória e Envelhecimento da Universidade da Califórnia, em San Francisco. A pesquisa focará em pessoas saudáveis que possuam depósitos de beta-amiloide, mas que ainda não manifestem sintomas, com o intuito de aplicar medicamentos precocemente para reduzir a concentração da proteína e retardar a progressão da doença.