Exercícios físicos durante o tratamento oncológico elevam a qualidade de vida de pacientes com câncer
O 13º Congresso de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro discutiu como exercícios físicos individualizados melhoram a recuperação e a funcionalidade de pacientes oncológicos. O evento alertou sobre os riscos à saúde do uso de suplementos alimentares e esteroides sem orientação médica. A ingestão de nutrientes via alimentos, como na dieta mediterrânea, foi apontada como a alternativa mais eficiente
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A prática de exercícios físicos durante o tratamento oncológico é capaz de elevar a qualidade de vida de pacientes e otimizar a recuperação clínica, conforme discutido no 13º Congresso de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro (GeriatRio 2026). A atividade física, quando prescrita de forma individualizada, melhora a capacidade funcional do indivíduo, reduz a toxicidade das terapias e prepara o organismo para intervenções cirúrgicas, o que pode resultar em períodos menores de internação hospitalar.
Impacto no tratamento do câncer
Embora a sobrevida de pacientes com câncer tenha aumentado significativamente, a qualidade desse tempo de vida permanece como um desafio. O treino físico atua diretamente na reabilitação e na manutenção da funcionalidade. Um exemplo crítico ocorre no tratamento do câncer de próstata, onde a Terapia de Privação Androgênica (supressão da testosterona) provoca a perda de massa muscular e o aumento da gordura corporal, acelerando o processo de envelhecimento.
A percepção médica sobre o tema evoluiu drasticamente nas últimas décadas. Até 2010, a recomendação geral era a contraindicação de exercícios após o diagnóstico. Contudo, a partir de 2019, um volume expressivo de pesquisas, com pioneirismo da Austrália, alterou esse paradigma. Apesar da comprovação científica, os sistemas de cuidado oncológico ainda carecem de estrutura para oferecer suporte sistemático à atividade física.
Riscos da suplementação indiscriminada
Outro ponto de alerta debatido no evento foi o uso crescente de suplementos alimentares, especialmente entre idosos, grupo que apresenta um consumo estimado no dobro da média da população geral. Em 2020, um levantamento indicou que 59% dos lares brasileiros possuíam ao menos uma pessoa consumindo esses produtos, movimentando cerca de R$ 7,6 bilhões no mercado nacional apenas em 2025.
O uso sem orientação médica pode acarretar danos graves à saúde:
- Vitamina A: doses moderadas podem reduzir a densidade óssea, enquanto doses altas podem causar toxicidade no fígado.
- Vitamina D: a ingestão a partir de 1.000 UI por dia pode provocar hipercalcemia (excesso de cálcio no sangue) e cálculos renais.
- Vitamina B6: a ingestão superior a 35 mg diários está relacionada a um maior índice de fraturas no quadril.
- Vitamina C: há associação com a nefrolitíase (pedras nos rins) no público masculino.
Quanto aos esteroides anabolizantes, os riscos incluem o aumento da pressão arterial, a elevação do colesterol LDL, danos hepáticos e a redução dos níveis naturais de testosterona, elevando a probabilidade de eventos cardíacos.
Prioridade à alimentação natural
A suplementação não é considerada uma intervenção neutra para o organismo. A ingestão de nutrientes por meio de alimentos é superior ao uso de cápsulas, pois a matriz alimentar é complexa e mais eficiente. Como exemplo de eficácia nutricional, a dieta mediterrânea é capaz de reduzir em 56% o risco de fragilidade em pacientes.