Saúde

Exército dos Estados Unidos monitorará níveis de testosterona em soldados com mais de 30 anos

04 de Agosto de 2026 às 18:03

O Exército dos Estados Unidos monitorará os níveis de testosterona de soldados com mais de 30 anos para incentivar a reposição hormonal. Médicos alertam que a prática sem indicação clínica é ineficaz e pode causar riscos cardiovasculares, reprodutivos e estéticos

Exército dos Estados Unidos monitorará níveis de testosterona em soldados com mais de 30 anos
Mike Hewitt/Getty Image

O Exército dos Estados Unidos passará a monitorar os níveis de testosterona em soldados com mais de 30 anos, incentivando a reposição hormonal. No entanto, a prática de utilizar o hormônio como atalho para ganho de massa muscular, energia e força — tendência impulsionada pelas redes sociais — é vista com cautela por médicos, já que a eficácia do tratamento é limitada quando não há indicação clínica.

Limitações da reposição hormonal

A ausência de necessidade real é um dos principais motivos para a falta de resultados após o uso da substância. De acordo com o professor Bruno Gualano, da Universidade de São Paulo (USP), não existe um déficit coletivo de testosterona na população, o que torna a triagem rotineira desnecessária.

O endocrinologista Clayton Macedo, da Unifesp, reforça que nenhuma sociedade médica recomenda a medição indiscriminada do hormônio. Essa prática pode levar a prescrições equivocadas em pessoas saudáveis que apresentam valores limítrofes. Além disso, sintomas como cansaço, baixa libido e dificuldade de emagrecimento são frequentemente atribuídos ao hormônio por interesses mercadológicos, embora possam ter causas distintas.

No caso da obesidade, por exemplo, a gordura converte a testosterona, mas a solução indicada é a perda de peso, e não a reposição. O objetivo do tratamento hormonal, quando indicado, é apenas normalizar os níveis de vitalidade e força, e não proporcionar um desempenho acima do normal.

Fatores biológicos e nutricionais

A presença do hormônio no sangue não garante a melhora da performance. Para atuar, a testosterona deve se ligar ao receptor de andrógeno, proteína presente em tecidos como cérebro, pele, próstata, ossos e músculos. Como existem variações genéticas na sensibilidade desses receptores, pessoas com níveis hormonais semelhantes podem responder de formas diferentes.

Além disso, o esgotamento físico e mental causado pelo estresse e pela pressão social é frequentemente confundido com baixa testosterona, embora o tratamento adequado seja a redução da carga de trabalho e do estresse.

A eficácia do hormônio também depende de processos celulares e nutrientes específicos:

  • Fósforo: essencial para a produção de ATP, a molécula de energia das células.
  • Magnésio: necessário para a síntese de proteínas e crescimento das fibras musculares.
  • Ferro: fundamental para o transporte de oxigênio aos tecidos; sua falta causa fadiga precoce.

Impacto de doenças e riscos à saúde

Condições médicas podem anular os efeitos da testosterona. Na obesidade, substâncias inflamatórias liberadas pela gordura geram a resistência anabólica, reduzindo a resposta das células musculares ao hormônio. Já no diabetes tipo 2, a resistência à insulina prejudica a síntese proteica e a entrada de glicose nas células.

O uso indiscriminado apresenta riscos severos, especialmente para quem não possui indicação médica:

  • Cardiovasculares: aumento da produção de glóbulos vermelhos, tornando o sangue mais espesso e elevando o risco de AVC, infarto e hipertrofia cardíaca.
  • Reprodutivos: supressão da produção natural de testosterona pelos testículos, podendo levar à infertilidade.
  • Estéticos: estímulo às glândulas sebáceas, resultando em acne.

Recuperação e apoio especializado

A interrupção do uso de hormônios sintéticos pode ser complexa, pois o corpo reduz a produção natural da substância. Esse processo pode gerar impactos emocionais, como quadros depressivos e falta de motivação, além de exigir tratamentos onerosos para estimular a função testicular.

Para auxiliar quem deseja interromper o uso de anabolizantes (conhecidos no meio fitness como "suco"), a Unifesp mantém o projeto Saindo do Suco com Segurança. A iniciativa oferece atendimento multidisciplinar, gratuito e sigiloso, disponível por meio do e-mail [email protected].

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