Família denuncia erro médico após morte de criança que sofreu trauma cerebral em Bertioga
Um menino de 11 anos morreu em Bertioga após sofrer uma bolada e cair durante atividade escolar. O laudo preliminar do IML indicou aneurisma e infarto cerebral, enquanto a família denuncia um erro médico na intubação durante o atendimento inicial
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/s/B/QAPsLaTPqHjOFQtdwqWQ/inserir-um-titulo.jpg-1-.jpeg)
A morte de Bernardo, um menino de 11 anos em Bertioga, no litoral de São Paulo, reacende a discussão sobre a gravidade de traumas cerebrais em crianças. O estudante, que não possuía histórico de doenças ou alergias, foi atingido por uma bolada durante atividade física na escola municipal e, posteriormente, sofreu uma queda, batendo a cabeça no chão ou em uma carteira.
O caso ocorreu em um momento em que a professora não estava na sala. Alunos alertaram a equipe escolar, que acionou o Samu. Antes do socorro oficial, um funcionário com experiência em bombeiros tentou a reanimação, e a criança foi levada por outra funcionária em um carro particular até a Unidade Bertioguense de Especialidades Médicas (Unibem). Após a passagem pela unidade, o Samu transferiu o paciente ao Hospital de Bertioga, onde o óbito foi confirmado após 40 minutos de tentativas de reanimação.
Investigação e causas do óbito
A família de Bernardo denuncia a ocorrência de um erro médico durante a intubação na Unibem, alegando que a falha teria prejudicado a respiração do menino e agravado seu quadro. A Prefeitura de Bertioga afirmou que os protocolos de emergência foram iniciados imediatamente na unidade e manifestou solidariedade aos parentes, mas não comentou a denúncia de falha no atendimento.
O laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) indicou a presença de um aneurisma na cabeça, que evoluiu para um infarto cerebral. Já o atestado de óbito registrou a insuficiência respiratória como a causa da morte, embora esta seja considerada a via final de diversas complicações, como lesões cerebrais. Exames complementares seguem em análise e a família solicitou as imagens da escola para compreender a dinâmica da queda.
Riscos do trauma craniano e o "intervalo lúcido"
Embora menos de 1% dos traumas cranianos infantis resultem em sangramento cerebral, impactos fortes, especialmente na região das têmporas (próximo às orelhas), podem ser fatais. Nessas áreas, artérias que suprem a meninge podem se romper, resultando em um hematoma epidural.
Um ponto crítico nesses episódios é o chamado intervalo lúcido: a vítima sofre o trauma, recupera a consciência e consegue interagir normalmente, sem apresentar dor de cabeça imediata. No entanto, o sangramento interno continua de forma gradual até que a pressão cerebral se torne insustentável, levando à herniação cerebral — quando o cérebro é empurrado, comprimindo artérias e podendo causar um AVC.
No caso de Bernardo, a combinação da bolada com a queda subsequente teria provocado esse rompimento arterial e o consequente deslocamento do cérebro.
Sinais de alerta e conduta preventiva
Para evitar complicações de hemorragias cerebrais, é fundamental a observação do paciente por 24 horas após a pancada, evitando que a pessoa durma logo em seguida. A interrupção imediata de qualquer atividade esportiva após um trauma na cabeça é essencial para prevenir a síndrome do segundo impacto, que eleva em até 3% o risco de edema cerebral.
Devem ser buscados socorro médico imediato e a realização de uma tomografia ao notar os seguintes sintomas:
- Sonolência excessiva e confusão mental;
- Perda de consciência, mesmo que por curto período;
- Vômitos e dor de cabeça;
- Dificuldade na fala ou fraqueza muscular;
- Choro inconsolável em crianças.
Como as tomografias não estão disponíveis em Unidades Básicas de Saúde ou UPAs, essas unidades realizam o encaminhamento para hospitais. Uma vez identificado o hematoma, a intervenção cirúrgica para estancar o sangramento interno torna-se uma corrida contra o tempo.