Saúde

FDA aprova novo medicamento para o tratamento de adultos com a doença de Parkinson

01 de Outubro de 2026 às 09:01 3 min de leitura

A FDA aprovou o tavapadon, medicamento da AbbVie para adultos com doença de Parkinson, com previsão de venda nos Estados Unidos em outubro. O fármaco atua nos receptores D1 e D5 e pode ser usado isoladamente ou com levodopa. Um estudo de fase 3 indicou ganho de 1,7 hora diária de mobilidade para os pacientes

-0:00
FDA aprova novo medicamento para o tratamento de adultos com a doença de Parkinson
Reprodução/AbbVie

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou nesta segunda-feira (28) o tavapadon, novo medicamento em comprimidos indicado para o tratamento de adultos com doença de Parkinson. Comercializado sob o nome Juvmo pela farmacêutica AbbVie, o fármaco deve estar disponível nas farmácias americanas em outubro. No Brasil, ainda não existe previsão de registro do medicamento junto à Anvisa.

O tavapadon pode ser administrado sozinho ou em conjunto com a levodopa, a terapia base para a patologia. O diferencial do novo remédio reside no mecanismo de ação cerebral: enquanto medicamentos como a rotigotina e o pramipexol atuam nos receptores D2 e D3 — ligados ao sono e ao sistema de recompensa, o que pode causar alucinações e compulsões —, o novo fármaco foca nos receptores D1 e D5. Essas estruturas estão relacionadas ao início dos movimentos e possuem menor vínculo com os efeitos colaterais comportamentais.

Impacto na mobilidade e eficácia

A doença de Parkinson afeta mais de 11 milhões de pessoas globalmente e é caracterizada pela morte progressiva de neurônios produtores de dopamina. A ausência dessa substância resulta em rigidez corporal, tremores, lentidão de movimentos e perda de expressão facial, além de sintomas como depressão, insônia e constipação.

Um estudo de fase 3, publicado no JAMA Neurology, monitorou 507 pacientes que já utilizavam levodopa e passavam, em média, cinco horas e meia por dia no estado "off" (período em que os sintomas retornam e a mobilidade é reduzida). Os resultados indicaram que:

  • Pacientes que utilizaram o tavapadon ganharam 1,7 hora diária de mobilidade, contra 0,6 hora do grupo placebo.
  • Houve uma redução de quase duas horas diárias nos sintomas, o dobro do observado no grupo placebo.

Embora esse ganho de aproximadamente uma hora por dia seja considerado relevante para atividades básicas, como vestir-se ou caminhar, a melhora clínica é similar à de outros tratamentos já disponíveis. A principal expectativa médica é que o fármaco seja melhor tolerado pelos pacientes.

Efeitos colaterais e cuidados clínicos

O uso do medicamento apresenta riscos que demandam monitoramento. No estudo clínico, 71,7% dos usuários relataram efeitos adversos, como tontura, enjoo e movimentos involuntários (discinesias), levando 17% dos participantes a abandonarem o tratamento.

Um ponto de atenção crítica é a pressão arterial. Observou-se que a pressão dos pacientes tratados caiu, em média, 8,6 mmHg ao ficarem em pé, com 6% apresentando queda pressórica ao levantar (contra 1,2% no grupo placebo). Devido ao perfil idoso da maioria dos pacientes, recomenda-se que médicos revisem a medicação anti-hipertensiva antes de iniciar o tratamento e monitorem a pressão arterial tanto em posição deitada quanto em pé nas primeiras semanas, orientando o paciente a levantar-se lentamente.

Quanto às compulsões, o índice foi de 2,4% nos tratados e 1,2% no grupo placebo. Embora a diferença não tenha sido considerada relevante pelos autores do estudo, o risco real só poderá ser mensurado com o uso prolongado do fármaco.

Limitações do tratamento

O tavapadon atua no controle dos sintomas, otimizando o uso da dopamina pelas células remanescentes, mas não interrompe a degeneração neuronal. Portanto, a doença continua a progredir enquanto o medicamento é utilizado.

Até o momento, não foram realizados estudos comparativos diretos entre o novo fármaco e as terapias existentes, o que impede a confirmação de que ele seja mais seguro. Além disso, testes com pacientes em estágio inicial da doença mostraram que 94% dos que permaneceram no estudo por 85 semanas não precisaram iniciar o uso de levodopa, porém, a ausência de um grupo de controle impede a atribuição desse resultado exclusivamente ao medicamento.

Notícias Relacionadas