FDA remove alerta de segurança de medicamentos utilizados na terapia hormonal da menopausa
A FDA removeu o alerta de segurança mais severo de seis medicamentos da terapia hormonal da menopausa (THM). O tratamento é indicado para mitigar sintomas do climatério e prevenir osteoporose, sendo contraindicado para mulheres com câncer de mama, doenças hepáticas ativas, trombofilia ou eventos cardiovasculares recentes. No Brasil, a ausência de distribuição gratuita pelo SUS impacta a continuidade do uso da terapia
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/A/2/nSJBR4RX2BekUzoscxnQ/menopausa-por-que-medicos-dizem-que-o-medo-da-terapia-hormonal-e-maior-que-o-risco-real.jpeg)
A terapia hormonal da menopausa (THM), indicada para mulheres nos períodos de climatério e pós-menopausa, enfrenta ainda hoje a barreira do medo entre pacientes e profissionais de saúde. Esse receio tem raízes em um estudo de 2002, o Women's Health Initiative (WHI), que relacionou o uso de hormônios ao câncer de mama. No entanto, revisões posteriores apontaram falhas na metodologia daquela pesquisa, concluindo que, para a maioria das mulheres, os benefícios do tratamento superam os riscos.
Recentemente, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, removeu o alerta de segurança mais severo (um retângulo preto nos rótulos) de seis medicamentos utilizados nessa terapia. A mudança, que envolvia avisos sobre demência, doenças cardiovasculares e câncer de mama, é vista por especialistas como um passo fundamental para dissipar estigmas e dar mais segurança a quem busca o tratamento.
Indicações e a relação com o câncer
A THM é recomendada principalmente para a mitigação de sintomas como ondas de calor (fogachos), sudorese, insônia, ressecamento vaginal e prevenção de fraturas por osteoporose. Também é indicada para mulheres que entram na menopausa precocemente, antes dos 40 anos, seja por cirurgias nos ovários ou quimioterapia.
Quanto ao risco de câncer, a relação varia conforme o órgão:
- Útero: O uso isolado de estrogênio pode estimular o tecido uterino; por isso, a progesterona é adicionada ao tratamento para atuar como proteção.
- Mama: A terapia é contraindicada para mulheres que possuem ou já tiveram câncer de mama, pois alguns tumores utilizam hormônios para crescer.
Para quem não possui esse histórico, o risco é considerado muito baixo. Dados indicam que a THM pode representar apenas um caso extra de câncer de mama para cada mil mulheres que utilizam a terapia por um ano.
Contraindicações e a "janela de oportunidade"
A prescrição da terapia não é universal e exige avaliação individual. Além do câncer de mama, a THM é contraindicada para mulheres com:
- Doenças hepáticas em atividade (como cirrose);
- Trombofilia (histórico de trombose);
- Eventos cardiovasculares graves, como infarto ou AVC, ocorridos nos últimos seis meses.
Existe também a chamada "janela de oportunidade", que sugere o início do tratamento em até dez anos após o começo da menopausa. Iniciar a reposição após esse prazo requer cautela e exames rigorosos, pois a reintrodução tardia de esteroides sexuais pode causar instabilidade no endotélio dos vasos sanguíneos, elevando o risco cardiovascular.
A realidade do tratamento no Brasil
Um estudo brasileiro de 2022, com 1.500 participantes, revelou que, embora 87% das mulheres apresentassem sintomas de menopausa, apenas 22,3% das que receberam prescrição médica utilizaram a THM. Outras foram encaminhadas para fitoterápicos ou não receberam indicação de tratamento.
A disparidade socioeconômica também impacta a continuidade do cuidado. Enquanto mulheres da classe A utilizaram a terapia por média de 24 meses, mulheres das classes D e E mantiveram o uso por apenas três meses. Um fator determinante é a ausência de distribuição gratuita desses medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Riscos do uso indiscriminado
Especialistas alertam para a diferença entre a THM e as terapias hormonais com fins estéticos. O uso de hormônios sem indicação clínica, especialmente por mulheres jovens, é motivo de preocupação médica devido ao risco de complicações graves, como hipertensão, infarto, trombose, cálculos renais e tumores no fígado.
A baixa libido, por exemplo, não é considerada uma indicação para a terapia hormonal, pois envolve fatores complexos como saúde mental, estresse e dinâmica de relacionamento, não sendo resolvida apenas com a reposição de estrogênio.