Fisioterapia precoce em bebê prematura evita cirurgia na coluna e melhora prognóstico motor
A fisioterapia precoce na Clínica-Escola da Faculdade Santa Marcelina reverteu quadros de escoliose, plagiocefalia e torcicolo de Alicia de Jesus Satiro, nascida prematura. A paciente apresenta marcha independente e a evolução do caso será apresentada no III Congresso Internacional de Paralisia Cerebral
A intervenção precoce com fisioterapia em bebês prematuros e de risco pode alterar significativamente o prognóstico motor e a qualidade de vida da criança, conforme demonstra o caso de Alicia de Jesus Satiro. Nascida prematura com 33 semanas de gestação em uma gravidez monoamniótica — condição rara em que gêmeos compartilham a mesma placenta e bolsa amniótica —, a menina recebeu alta da UTI neonatal em Santo André com um quadro complexo.
O diagnóstico inicial incluía escoliose congênita (curvatura anormal da coluna), plagiocefalia (achatamento craniano), torcicolo congênito (limitação de movimentos do pescoço), paralisia facial e displasia pulmonar grave. Alicia, que pesava 1,930 kg ao nascer, permaneceu 70 dias internada, enquanto sua irmã, Laura, ficou 203 dias na UTI neonatal para tratamento alimentar. Além das questões motoras, a bebê apresentava comunicação intraventricular e era cardiopata.
Uma semana após a alta hospitalar, Alicia iniciou um programa de intervenção precoce na Clínica-Escola de Fisioterapia da Faculdade Santa Marcelina, em Itaquera, São Paulo. O tratamento, conduzido pelo professor e fisioterapeuta Arthur Pinto dos Santos Junior, baseou-se em escalas específicas de desenvolvimento infantil para direcionar estímulos motores, aproveitando a plasticidade cerebral do bebê para promover padrões de movimento típicos.
Aos 1 ano e 6 meses, a evolução da criança é expressiva: a curvatura da coluna diminuiu de 18 para 7 graus, eliminando a necessidade de uso de colete ou cirurgia ortopédica, conforme a avaliação médica atual. A plagiocefalia e o torcicolo foram corrigidos, e a menina já apresenta marcha independente, autonomia em trocas posturais e capacidade de subir e descer escadas. Atualmente, apenas a paralisia facial segue em acompanhamento.
O sucesso terapêutico foi atribuído não apenas às sessões semanais, mas à inclusão ativa da família. Os pais foram capacitados para replicar os estímulos em casa nos demais dias da semana, e a irmã mais velha também foi integrada às atividades.
De acordo com a coordenação do curso, Cássia Santos, a neuroplasticidade permite que intervenções rápidas modifiquem cenários que, inicialmente, sugeriam a evolução para paralisia cerebral ou deficiências permanentes. A especialista ressalta que a reabilitação precoce devolve a autonomia ao paciente e reduz a demanda futura por serviços de saúde pública.
O caso de Alicia foi transformado em um relato científico e será apresentado no III Congresso Internacional de Paralisia Cerebral, em Campinas, no final de julho, reforçando a importância do atendimento imediato para bebês de risco.
A Clínica-Escola da Faculdade Santa Marcelina, instituição filantrópica que opera desde 2014, oferece atendimento gratuito e aberto ao público, independentemente de residir na região ou de possuir encaminhamento médico formal, priorizando o acolhimento de recém-nascidos prematuros.