Saúde

Homem mais tatuado do Brasil passará por quimioterapia e cirurgia para tratar câncer de bexiga

10 de Outubro de 2026 às 06:01 4 min de leitura

Leandro de Souza passará por quimioterapia e cirurgia de remoção da bexiga após biópsia confirmar que o tumor invadiu o músculo do órgão. O tabagismo é o principal fator de risco da doença, que deve registrar 13.110 novos casos anuais no Brasil entre 2026 e 2028

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Homem mais tatuado do Brasil passará por quimioterapia e cirurgia para tratar câncer de bexiga
Reprodução/Redes sociais

O câncer de bexiga apresenta diferentes prognósticos dependendo da profundidade da infiltração do tumor no órgão. Enquanto metade dos casos diagnosticados nos Estados Unidos é detectada ainda na camada interna, permitindo a remoção por via uretral sem cortes externos, quadros em que a doença atinge a parede muscular exigem intervenções mais agressivas, como a retirada total do órgão.

É o caso de Leandro de Souza, conhecido por ter sido apontado como o homem mais tatuado do Brasil. A biópsia de Leandro confirmou que o tumor invadiu o músculo da bexiga. Embora a tomografia não tenha indicado a disseminação da doença para outras áreas, o paciente passará por quatro a seis sessões de quimioterapia antes de realizar a cirurgia de remoção da bexiga, prevista para 2027.

Progressão e diagnóstico da doença

O tumor geralmente se origina nas células uroteliais, que revestem a parte interna da bexiga. A evolução da patologia ocorre em camadas: inicia-se na superfície e pode avançar para a parede muscular, atingindo linfonodos e outros órgãos. O sintoma mais comum é a presença de sangue na urina, que costuma ocorrer de forma intermitente e sem dor, fator que frequentemente leva os pacientes a retardarem a busca por auxílio médico.

No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que, entre 2026 e 2028, surjam anualmente 13.110 novos casos, sendo 9.040 em homens e 4.070 em mulheres. Em 2024, a doença foi responsável por 5.483 óbitos no país.

Fatores de risco e prevenção

O tabagismo é o principal fator de risco, multiplicando por três a probabilidade de desenvolver a doença e estando associado a mais de 50% dos diagnósticos brasileiros. Outros fatores incluem a idade — com 90% dos pacientes acima de 55 anos — e a exposição profissional a aminas aromáticas e corantes utilizados nas indústrias de couro, borracha, têxtil, gráfica e de tintas.

Sobre a relação entre pigmentos de tatuagem e o câncer de bexiga, não há evidências científicas estabelecidas, baseando-se os estudos atuais em relatos de caso e estimativas teóricas. No caso específico de Leandro de Souza, a possibilidade de ligação entre a remoção de suas tatuagens e o surgimento do tumor foi descartada por médicos.

Protocolos de tratamento

As estratégias terapêuticas variam conforme o estágio da doença:

  • Tumores superficiais: São removidos via uretra. O tratamento pode ser complementado com imunoterapia local utilizando o bacilo de Calmette-Guérin (BCG).
  • Tumores musculares: As Diretrizes Brasileiras Conjuntas (versão 2026) recomendam a cistectomia radical (retirada da bexiga e, em homens, da próstata). Para pacientes que toleram a cisplatina, a indicação preferencial é a combinação de quimioterapia e imunoterapia antes da cirurgia, mantendo a imunoterapia posteriormente.

Vale ressaltar que a aprovação desses medicamentos combinados ocorre no âmbito da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), sendo aplicável a planos de saúde. Em situações selecionadas, tenta-se a preservação do órgão mediante a retirada máxima do tumor associada a quimioterapia e radioterapia.

Após a retirada da bexiga, é necessário criar um novo sistema de eliminação urinária. Isso pode ser feito via neobexiga (reservatório construído com parte do intestino) ou, quando a condição clínica não permite, por meio da urostomia (desvio da urina para uma bolsa externa).

Impacto da imunoterapia e taxas de sobrevida

A integração de medicamentos que estimulam o sistema imunológico tem elevado a sobrevida dos pacientes. Um estudo de 2024 publicado no New England Journal of Medicine demonstrou que a soma de imunoterapia à quimioterapia pré-cirúrgica reduziu em 25% o risco de morte. Após dois anos, a taxa de sobrevivência nesse grupo foi de 82%, contra 75% de quem utilizou apenas quimioterapia. Em casos de doença disseminada, a combinação elevou a sobrevida mediana de 16 para 31 meses.

Quanto às taxas de sobrevivência em cinco anos nos Estados Unidos (dados de 2015 a 2021), os índices variam drasticamente conforme a extensão do tumor:

  • Restrito ao revestimento: 98% de sobrevivência.
  • Atingiu a parede muscular: 73% de sobrevivência.
  • Disseminado para outras partes do corpo: 9% de sobrevivência.

A prevenção baseia-se na cessação do tabagismo e na redução da exposição a produtos químicos industriais. A investigação imediata de qualquer sangramento urinário é fundamental para aumentar as chances de diagnóstico precoce e tratamento menos invasivo.

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