Saúde

Hospital Moinhos de Vento oferece exame de sangue para identificação de biomarcadores do Alzheimer

16 de Outubro de 2026 às 06:01 4 min de leitura

O Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, disponibilizou um exame de sangue para identificar biomarcadores do Alzheimer em pacientes com sintomas e mais de 50 anos. O teste, que custa cerca de R$ 3 mil, mede a proteína p-tau217 e possui precisão comparável à análise do líquor

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Hospital Moinhos de Vento oferece exame de sangue para identificação de biomarcadores do Alzheimer
Divulgação

O Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), iniciou nesta quinta-feira (15) a oferta de um exame de sangue capaz de identificar biomarcadores do Alzheimer. A tecnologia, que mede a proteína p-tau217, surge como uma alternativa menos invasiva à punção lombar e aos exames de imagem tradicionalmente utilizados para a confirmação da patologia.

Disponível na rede privada com custo estimado em R$ 3 mil, o teste é indicado exclusivamente para pacientes que já apresentam sintomas e suspeita clínica da doença. A análise é realizada por meio de equipamento automatizado da fabricante belga Fujirebio, plataforma denominada Lumipulse, que visa garantir a padronização dos resultados entre diferentes laboratórios.

Funcionamento e precisão do diagnóstico

A proteína p-tau217 é uma versão modificada da proteína tau. Seus níveis sanguíneos indicam o acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, uma das principais características biológicas do Alzheimer. É importante ressaltar que o exame não diagnostica a demência isoladamente, mas detecta sinais indiretos de alterações cerebrais.

O resultado do teste pode ser positivo, negativo ou inconclusivo. Estima-se que entre 15% e 20% dos casos resultem em índices inconclusivos, situação que exige a repetição do exame após 12 meses ou a realização de exames complementares, como a análise do líquor ou a tomografia por emissão de pósitrons (PET).

Um estudo publicado em 2025 na revista Nature Medicine, com 1.767 pacientes na Europa, demonstrou que a precisão do exame de sangue coincide com a do líquor em até 94% dos casos, dependendo do ponto de corte utilizado. No Hospital Moinhos de Vento, validações locais com mais de mil dosagens alcançaram um índice de acerto de 0,95 (em uma escala onde 1 é a perfeição), embora esses dados ainda aguardem revisão por pares.

Indicações e limitações clínicas

O teste é validado para pessoas com mais de 50 anos. Para indivíduos abaixo dessa faixa etária ou para aqueles que não apresentam sintomas cognitivos, o significado do resultado ainda é desconhecido. O pedido do exame deve partir de um médico após a confirmação de declínio cognitivo por meio de testes específicos, não sendo justificado apenas por queixas isoladas de esquecimento.

Embora a sensibilidade e a especificidade do teste superem os 90%, existem margens de erro. Em alguns grupos estudados, até 25% dos resultados negativos podem mascarar a presença da alteração. Além disso, a precisão diminui em pacientes com 80 anos ou mais, caindo para 83%.

O diagnóstico final do Alzheimer funciona como um conjunto de evidências, onde a dosagem sanguínea é apenas uma das peças, devendo ser combinada ao quadro clínico do paciente.

Comparativo com métodos tradicionais

Atualmente, a confirmação biológica da doença depende de dois métodos principais:

  • PET amiloide: mapeamento por medicina nuclear, porém de alto custo e acesso limitado.
  • Análise do líquor: coleta via punção lombar, método invasivo e desconfortável.

O novo exame de sangue oferece acurácia comparável a esses métodos, com a vantagem de ser menos invasivo e ter custo reduzido. Ele pode substituir o PET e o líquor na maioria das indicações, exceto em casos inconclusivos ou na decisão de suspender terapias com anticorpos contra a amiloide, onde apenas o PET é eficaz.

Regularização e acesso no Brasil

A Anvisa regularizou a linha de produtos Lumipulse G pTau 217 Plasma em 17 de agosto, via importadora VR Medical. Anteriormente, a realização desse teste exigia o envio de amostras para laboratórios nos Estados Unidos.

Quanto à expansão do acesso:

  • Planos de Saúde: O hospital prevê a integração com operadoras para 2026, embora a cobertura ainda não esteja confirmada.
  • SUS: Não há data para a chegada do exame ao sistema público. O Ministério da Saúde informou que a Conitec, órgão responsável pela incorporação de novas tecnologias, ainda não recebeu nenhuma demanda de avaliação para este teste.

Enquanto a tecnologia não é integrada à rede pública, o diagnóstico no SUS permanece baseado em avaliação clínica e exames de imagem, como ressonância magnética e tomografia computadorizada.

Tratamentos disponíveis

A detecção precoce é fundamental para a aplicação de terapias para quadros iniciais. No Brasil, os medicamentos donanemabe e lecanemabe podem reduzir a velocidade de progressão da doença entre 20% e 30% em alguns pacientes, embora não interrompam a patologia.

Para quem apresenta esquecimentos repetidos, a orientação é buscar neurologistas, geriatras ou psiquiatras para a devida avaliação cognitiva.

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