Inalação de partículas de excrementos de roedores é a principal via de transmissão do hantavírus
A transmissão do hantavírus ocorre principalmente pela inalação de partículas de excrementos de roedores, exigindo ventilação de ambientes e higienização com água sanitária. A doença apresenta sintomas iniciais inespecíficos e o tratamento é de suporte, baseado na gravidade de cada caso. O diagnóstico é realizado via testes moleculares e sorológicos associados ao histórico de exposição

A inalação de partículas suspensas no ar, provenientes de urina, fezes ou saliva de roedores infectados, é a principal via de transmissão do hantavírus. O risco é acentuado em locais fechados com acúmulo de poeira, como celeiros, galpões, depósitos e construções rurais, além de áreas com presença regular de ratos. O contato direto com ninhos, superfícies contaminadas e alimentos armazenados sem a devida proteção também pode levar ao contágio.
A limpeza de imóveis fechados há meses, como casas de campo ou depósitos, exige protocolos rigorosos para evitar a propagação do vírus. O uso de vassouras ou aspiradores de pó é contraindicado, pois essas ferramentas levantam partículas que facilitam a infecção respiratória. A orientação do infectologista Daniel Paffili é ventilar o ambiente por no mínimo 30 minutos, abrindo portas e janelas antes de iniciar qualquer atividade. A higienização deve ser feita com a umidificação das superfícies utilizando água sanitária diluída, com o uso obrigatório de luvas e, se necessário, máscaras de proteção. Resíduos como fezes e ninhos devem ser descartados em sacos plásticos lacrados, sem manuseio direto.
Os sintomas iniciais da doença são inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico precoce, já que febre alta, dor de cabeça, cansaço excessivo, mal-estar geral e dores intensas no corpo assemelham-se a quadros de dengue, influenza, Covid-19 ou leptospirose. Em alguns casos, podem ocorrer tontura, náuseas, vômitos e dor abdominal. Nas Américas, a manifestação varia de febres agudas a complicações cardiovasculares e pulmonares severas, podendo evoluir para a síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), condição em que os pulmões não oxigenam o sangue adequadamente.
A busca por assistência médica deve ser imediata para quem apresenta febre e mal-estar após contato com poeira ou excrementos de roedores. Sinais de alerta como falta de ar, queda da oxigenação ou piora rápida do quadro indicam a necessidade de suporte hospitalar urgente. É fundamental informar ao médico sobre a exposição ambiental, detalhando a permanência em áreas rurais, silos, acampamentos ou a realização de limpezas em locais fechados, mesmo que não tenham sido vistos roedores.
O diagnóstico é estabelecido por meio de testes moleculares e sorológicos para a identificação de anticorpos, combinados ao histórico de exposição e sintomas. Como não existe um antiviral específico para a hantavirose, o Ministério da Saúde indica que o tratamento seja de suporte, adaptado à gravidade de cada paciente. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) ressalta que a rapidez no atendimento é determinante, pois casos críticos podem exigir ventilação mecânica ou suporte de oxigênio.
Erros comuns, como a automedicação com antibióticos — ineficazes contra vírus — ou o repouso esperando a melhora espontânea, podem atrasar o diagnóstico e acelerar a evolução para a insuficiência respiratória. Para prevenir a doença, recomenda-se o controle de roedores através da vedação de frestas em portas e paredes, eliminação de entulhos e armazenamento de alimentos em recipientes vedados. Profissionais que atuam em lavouras e silos devem utilizar regularmente equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas.