Jovens da Geração Z substituem o consumo de álcool por medicamentos controlados para lidar com a ansiedade
Jovens da Geração Z substituem o álcool por medicamentos controlados, como pregabalina e propranolol, para tratar a ansiedade social. A prática, incentivada por redes sociais, envolve a compra ilegal de fármacos e a técnica de stacking. No Reino Unido, 26% dos jovens entre 18 e 24 anos não consomem bebidas alcoólicas
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Jovens da Geração Z estão substituindo o consumo de álcool por medicamentos controlados para lidar com a ansiedade social. A tendência, impulsionada por redes sociais, envolve o uso de substâncias como a pregabalina (indicada para epilepsia e dores neuropáticas) e o propranolol (um betabloqueador para controle da frequência cardíaca), frequentemente adquiridos de forma ilegal em sites e plataformas digitais.
Essa mudança de comportamento é acompanhada por um movimento de sobriedade em relação às bebidas alcoólicas. No Reino Unido, dados da organização Drinkaware indicam que 26% dos jovens entre 18 e 24 anos não consomem álcool, um salto significativo comparado aos 7% registrados em 2012. Para muitos, a troca por fármacos é vista como uma "alternativa mais limpa", livre de calorias e da ressaca característica do álcool.
O impacto da ansiedade social na Geração Z
O aumento da dependência de substâncias químicas para a socialização reflete um cenário de saúde mental crítico. Um estudo da University College London revelou que 28% dos jovens com pouco mais de 20 anos na Inglaterra apresentam altos níveis de ansiedade. A pesquisa aponta que doenças mentais graves são mais frequentes na Geração Z do que entre os millennials da mesma idade.
Psicólogos, como a professora Emily Jones, do King's College London, sugerem que o isolamento social provocado pela pandemia de covid-19 pode ter intensificado o medo de interações humanas, levando jovens a buscarem auxílio químico para situações cotidianas, como encontros românticos, reuniões familiares e ambiente de trabalho.
Riscos à saúde e perigos do mercado ilegal
Embora alguns usuários acreditem que medicamentos prescritos sejam inerentemente seguros, especialistas alertam que o uso sem supervisão médica e em altas doses pode ser fatal. A pregabalina, especificamente, tornou-se um ponto de atenção global. Entre 2008 e 2018, seu consumo mundial quadruplicou, com um aumento correspondente nas mortes por envenenamento. Na Inglaterra e no País de Gales, a substância apareceu em 2.360 certidões de óbito entre 2020 e 2024, contra 768 no período de 2015 a 2019.
Além do risco de overdose, o uso prolongado pode causar:
- Dependência química severa;
- Insônia e aumento da ansiedade;
- Pensamentos suicidas durante a interrupção do uso;
- Tonturas e quedas perigosas da frequência cardíaca (no caso do propranolol).
Outro fator de risco é a procedência dos fármacos. A compra em sites não regulamentados expõe o usuário a substâncias de qualidade duvidosa, diferentemente do álcool comercializado, que possui controle de composição e teor alcoólico.
A influência digital e a prática do "stacking"
As redes sociais desempenham um papel central na disseminação dessa prática. Influenciadores digitais promovem a criação de coquetéis de medicamentos, técnica conhecida online como stacking. Através de hashtags e transmissões ao vivo, usuários são incentivados a combinar diferentes fármacos para alcançar estados de euforia e relaxamento, simulando a embriaguez sem os efeitos colaterais do álcool.
Essa cultura digital facilita não apenas a aceitação social do uso indevido, mas também o acesso, com a venda direta de medicamentos ocorrendo por meio de links vinculados a perfis de influenciadores.
Respostas governamentais e controle global
Diante do cenário, diversos países intensificaram a fiscalização:
- Inglaterra: A pregabalina foi reclassificada como droga controlada de Classe C em 2019, tornando a compra sem receita um crime passível de prisão.
- China: O governo proibiu a maior parte das vendas online do medicamento e estabeleceu limites de fabricação por província.
- Outras regiões: Pesquisadores já observaram o aumento do abuso da substância na Jordânia, Índia e Ucrânia.
Apesar das restrições, epidemiologistas alertam que a proibição rigorosa pode empurrar os usuários para o mercado negro, aumentando a probabilidade de consumo de drogas adulteradas e riscos de overdose.