Saúde

Laudo confirma que cardiomiopatia hipertrófica causou a morte do fisiculturista Gabriel Ganley

26 de Maio de 2026 às 09:04

Laudo divulgado na segunda-feira (25) confirmou que a cardiomiopatia hipertrófica causou a morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos. O documento não estabeleceu vínculo direto entre a patologia e o uso de hormônios

Laudo confirma que cardiomiopatia hipertrófica causou a morte do fisiculturista Gabriel Ganley
Jornal Nacional/ Reprodução

O laudo divulgado na segunda-feira (25) confirmou que a cardiomiopatia hipertrófica foi a causa da morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos. Embora o documento não tenha estabelecido um vínculo direto entre a patologia e o uso de hormônios, a condição é caracterizada pelo espessamento das paredes do coração, o que reduz a cavidade interna do ventrículo e prejudica o enchimento e o bombeamento do sangue.

O músculo cardíaco, assim como os músculos esqueléticos, responde a estímulos de hormônios que promovem o crescimento. No entanto, o desenvolvimento exagerado do coração compromete a função vital do órgão, tornando-o mais rígido. Essa condição pode ter origem genética — sendo uma das principais causas de morte súbita em atletas jovens —, mas também pode ser adquirida ou agravada por esteroides anabolizantes e hipertensão arterial prolongada.

A expansão rápida da musculatura cardíaca pode superar a capacidade de crescimento da rede de vasos sanguíneos. Essa defasagem na irrigação provoca a morte de células por falta de oxigênio, resultando em áreas de fibrose. Essas cicatrizes permanentes no músculo alteram a condução dos impulsos elétricos, podendo gerar bloqueios ou desvios que desencadeiam ritmos cardíacos anormais.

O risco culmina em arritmias ventriculares graves, como a fibrilação e a taquicardia ventricular. Nesses quadros, o coração perde a coordenação das contrações e interrompe o fluxo sanguíneo para o cérebro e demais órgãos, levando à perda de consciência e à parada cardiorrespiratória. O esforço físico intenso atua frequentemente como gatilho para esses eventos em indivíduos predispostos.

A periculosidade da cardiomiopatia hipertrófica reside no fato de que a doença costuma ser assintomática por anos, permitindo que o indivíduo mantenha rotinas de treinos intensos sem perceber as alterações estruturais. Quando surgem, os sinais incluem tonturas, palpitações, dor no peito, falta de ar e desmaios. Por isso, síncopes durante exercícios em jovens atletas e históricos familiares de morte súbita são indicadores que demandam investigação médica.

Além do crescimento muscular, os esteroides anabolizantes impactam a saúde cardiovascular ao elevar a pressão arterial, alterar o colesterol, prejudicar a microcirculação do coração e aumentar a coagulação sanguínea, o que pode favorecer a formação de trombos nas artérias coronárias.

A resposta do organismo a essas substâncias varia conforme a genética, a dose, o tempo de uso e a pressão arterial de cada pessoa. A ausência de sintomas imediatos não descarta a existência de danos, que podem progredir silenciosamente até culminarem em insuficiência cardíaca, infarto ou arritmias.

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