Livro de Ichiro Kishimi propõe a filosofia como ferramenta para a aceitação do envelhecimento
O livro A coragem de envelhecer, de Ichiro Kishimi, utiliza a filosofia de Alfred Adler para discutir a aceitação da velhice. A obra aborda a superação de doenças e propõe diretrizes de respeito e autonomia no cuidado a pais idosos
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A aceitação do envelhecimento e a ressignificação da vida na maturidade são os eixos centrais da obra A coragem de envelhecer: como a filosofia pode ajudar você a aceitar os efeitos da passagem do tempo. No livro, o filósofo e psicólogo Ichiro Kishimi questiona a tendência social de lamentar a velhice, argumentando que a juventude não é um estado necessariamente superior ou garantia de felicidade.
Kishimi baseia sua perspectiva nos conceitos de Alfred Adler, psiquiatra austríaco que divergiu de Sigmund Freud ao focar na força motivadora do indivíduo para superar obstáculos e buscar o crescimento pessoal.
A doença como ponto de virada
A trajetória do autor inclui experiências pessoais com a saúde que moldaram sua visão sobre a finitude. Aos 50 anos, Kishimi sofreu um infarto e, no ano seguinte, passou por uma cirurgia de ponte de safena.
O autor relata que a maior dificuldade do processo não foram as dores físicas, mas a incerteza sobre a sobrevivência e o sentimento de desvalorização pessoal diante da incapacidade de agir. A superação desse quadro ocorreu quando ele percebeu que sua existência, por si só, era motivo de alegria para amigos e familiares, transformando a doença em um momento de reflexão e mudança de perspectiva.
A dinâmica do cuidado na velhice
A obra também aborda a experiência de Kishimi como cuidador do próprio pai, oferecendo diretrizes para a relação entre filhos e pais idosos:
- Autonomia e respeito: O autor defende que os filhos devem evitar a imposição de crenças e opiniões, limitando-se a decisões práticas que beneficiem os pais sem a criação de regras indesejadas.
- Lidando com a demência: Diante da perda de memória dos pais, a orientação é que os filhos assumam a iniciativa de focar no aqui e agora, independentemente de o idoso estar preso a lembranças do passado.
- Relações renovadas: A proposta é tratar cada interação com os pais como se fosse o primeiro encontro, promovendo uma escuta mais atenta e um tratamento baseado no respeito.