Maioria dos idosos mantém vida sexual ativa, mas evita falar sobre o tema com médicos
Dados do GeriatRio 2026 indicam que a vida sexual é mantida por 73% das pessoas entre 57 e 64 anos, mas 60% dos indivíduos com mais de 65 anos evitam o tema com médicos. O evento alertou para o aumento de casos de Aids em pessoas acima de 60 anos entre 2014 e 2024. O SUS oferece a DoxiPEP para ISTs bacterianas e a PEP para o HIV
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A atividade sexual permanece presente em diversas etapas do envelhecimento, embora a comunicação sobre o tema entre pacientes e profissionais de saúde ainda enfrente barreiras significativas. Durante o evento GeriatRio 2026, dados apresentados pelo geriatra Gustavo de Jesus Monteiro, vice-presidente da SBGG-RJ, revelaram que a vida sexual é mantida por 73% das pessoas entre 57 e 64 anos, 53% na faixa de 65 a 74 anos e 26% entre 75 e 85 anos. Neste último grupo, 54% mantêm de duas a três relações mensais.
Apesar da prevalência da atividade, existe um distanciamento no diálogo clínico. Cerca de 60% dos indivíduos com mais de 65 anos não se sentem confortáveis para abordar o assunto com médicos. Essa lacuna é evidenciada pelo fato de que apenas 38% dos homens e 22% das mulheres acima de 50 anos discutem a sexualidade em consultas, embora a maioria deseje que o profissional de saúde tome a iniciativa da conversa.
Expectativa de vida sexual e saúde mental
A duração da vida sexual varia conforme a presença de parceiros. Aos 55 anos, a estimativa é de mais 15 anos de atividade para homens e dez para mulheres. Contudo, quando há parceiros, a expectativa se equaliza para ambos os gêneros, situando-se em torno de 16 anos.
Para romper com a visão de que idosos seriam assexuados, a psicóloga Ana Cristina Nunes Barbosa, especialista em sexualidade humana, defende a superação de tabus e da infantilização do paciente. A abordagem deve ser madura, natural e centrada na saúde, no prazer e na autonomia, combatendo o constrangimento gerado pela falta de formação adequada dos profissionais para lidar com a questão na prática.
Prevenção de ISTs na terceira idade
O aumento da vulnerabilidade a infecções é outro ponto crítico. A infectologista Thelma Flosi, do Hospital Universitário Pedro Ernesto, alertou que, enquanto a detecção de Aids caiu em quase todas as faixas etárias entre 2014 e 2024, a tendência foi oposta para pessoas acima de 60 anos. Para reverter esse cenário, é fundamental a naturalidade ao questionar hábitos sexuais e a indicação de métodos preventivos, incluindo vacinas contra as hepatites A e B.
Existem protocolos específicos de prevenção disponíveis para a população:
- DoxiPEP: Profilaxia pós-exposição para ISTs bacterianas, como clamídia e sífilis. Disponível no SUS via doxiciclina (dose única oral), deve ser administrada preferencialmente nas primeiras 24 horas e no máximo até 72 horas após a exposição.
- PEP: Profilaxia pós-exposição ao HIV, indicada tanto para casos de violência sexual quanto para relações consentidas. O início deve ocorrer em até duas horas, com prazo limite de 72 horas, e o tratamento dura 28 dias.
- PrEP: Profilaxia pré-exposição ao HIV, que pode ser diária ou sob demanda. No sistema privado, existe a opção injetável a cada seis meses. Em todos os casos, o acompanhamento médico é obrigatório para monitorar a densidade óssea e a função renal.