Saúde

Mais de dois terços da população humana já falaram durante o sono em algum momento

27 de Setembro de 2026 às 09:00 3 min de leitura

O sono divide-se nas fases não REM e REM, com recomendações de repouso que variam entre 8 e 13 horas conforme a idade. A fala noturna, classificada como parassonia, atinge mais de dois terços da população e ocorre quando áreas da linguagem permanecem ativas. Esse comportamento é mais comum na infância e pode estar associado à privação de sono e ao cansaço extremo

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Mais de dois terços da população humana já falaram durante o sono em algum momento
TungArt7 para Pixabay

O sono é fundamental para a manutenção da saúde, atuando na regeneração do corpo, no fortalecimento do sistema imune e na consolidação de memórias a longo prazo. Para crianças, esse processo é ainda mais crítico, sendo o período em que ocorre o crescimento físico.

As recomendações de repouso variam conforme a idade: crianças de 3 a 5 anos necessitam de 10 a 13 horas diárias; entre 6 e 12 anos, o ideal é de 9 a 12 horas; já os adolescentes devem dormir entre 8 e 10 horas por noite.

A arquitetura do sono

O descanso noturno não é um estado linear, mas sim composto por ciclos de aproximadamente 90 minutos, conhecidos como arquitetura do sono. Esse processo divide-se em duas fases principais:

  • Sono não REM: Representa entre 75% e 80% da noite. É a fase de desaceleração profunda, essencial para o descanso e a recuperação do organismo. Predomina nas primeiras horas após o início do sono.
  • Sono REM (movimento rápido dos olhos): Ocupa cerca de um quarto do tempo total de repouso e torna-se mais frequente nas primeiras horas da manhã. É nesta etapa que ocorrem a maioria dos sonhos, especialmente os mais vívidos.

O fenômeno de falar dormindo

A sonolência não desliga completamente o cérebro; diferentes áreas permanecem ativas em momentos distintos. O ato de falar durante o sono acontece quando as regiões responsáveis pela linguagem e fala continuam operando, enquanto as partes que normalmente inibem a articulação física da boca estão adormecidas.

Este comportamento é comum a todos os mamíferos e, em seres humanos, afeta mais de dois terços da população em algum momento da vida. Na maioria dos casos, a comunicação consiste em risadas, sussurros ou murmúrios. Quando palavras são formadas, a mais frequente é "não", representando 5% das ocorrências, seguida por perguntas ou termos agressivos, simulando conflitos.

Estudos de laboratório indicam que, durante o sono REM, o conteúdo falado corresponde ao sonho em 80% das vezes. Além disso, cerca de metade das pessoas que falam dormindo podem responder a estímulos externos, embora não existam evidências científicas de que isso possa ser usado para extrair segredos.

Parassonias e saúde mental

Falar durante o sono é classificado como uma parassonia — comportamentos ou experiências mentais que ocorrem durante o repouso, como o sonambulismo e os pesadelos. Essas manifestações são geralmente inofensivas, tornando-se distúrbios apenas quando a frequência prejudica a rotina do indivíduo.

A incidência de fala noturna é maior na infância, possivelmente devido à maior proporção de sono não REM de ondas lentas nas crianças, volume que diminui com o envelhecimento.

Impactos e alertas

Embora seja considerado normal, o hábito de falar dormindo pode estar associado a algumas particularidades:

  1. Privação de sono: Pessoas com esse hábito podem ter cerca de uma hora e meia a menos de repouso por noite e metade do tempo de sono REM em comparação a quem não fala.
  2. Cansaço extremo: O esgotamento físico aumenta a probabilidade de a pessoa apresentar parassonias.
  3. Outros sintomas: A fala noturna pode elevar a chance de ocorrência de sonambulismo.

Casos de terrores noturnos, incontinência urinária noturna ou sonambulismo tendem a diminuir com a idade, mas podem ser tratados por psicólogos especializados em sono.

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