Saúde

Medicamentos para perda de peso estão associados à redução do consumo de álcool por usuários

09 de Agosto de 2026 às 12:01

Medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro estão associados à redução do consumo de álcool ao afetar o sistema de recompensa cerebral. Estudos indicam menor desejo pela bebida e redução de episódios de consumo excessivo, embora a Anvisa não aprove o uso para tratar o alcoolismo

Medicamentos para perda de peso estão associados à redução do consumo de álcool por usuários
Peter Cade/Getty Images via BBC

Medicamentos utilizados para a perda de peso, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, estão sendo associados a uma redução significativa no consumo de álcool por parte de seus usuários. As substâncias, que contêm semaglutida ou tirzepatida, mimetizam o hormônio natural GLP-1, atuando na supressão do apetite e prolongando a sensação de saciedade.

Impacto no sistema de recompensa e dependência

Pesquisas indicam que a ação desses fármacos pode se estender ao cérebro, afetando a resposta de recompensa. De acordo com o Dr. Christian Hendershot, da Universidade da Carolina do Sul, esse mecanismo pode diminuir a vontade de consumir substâncias viciantes, como a nicotina e o álcool.

Um estudo de pequena escala publicado em 2025 revelou que pacientes com transtorno por uso de álcool (alcoolismo) apresentaram menor desejo pela bebida durante o uso de Ozempic. No sentido complementar, uma pesquisa da Universidade do Colorado Anschutz apontou que versões em comprimidos de medicamentos GLP-1 reduziram a frequência de episódios de consumo excessivo em pessoas com dependência leve a moderada.

Relatos de usuários e reações físicas

A experiência dos pacientes varia conforme o organismo. Alguns relatam a perda total do desejo de beber, enquanto outros descrevem reações físicas adversas, como:

  • Sensação de estômago cheio ou náuseas;
  • Intoxicação alcoólica mais rápida;
  • Tonturas e zonzeiras após poucas doses.

Casos reais ilustram essa mudança. Lisa Rees, de 46 anos, reduziu drasticamente o consumo de vinho, passando de seis a oito garrafas semanais para apenas algumas taças em eventos sociais. Já Warren Thomas, de 45 anos, relatou perda total da tolerância ao álcool e ausência de vontade de beber apenas 24 horas após a primeira dose de Mounjaro.

Por outro lado, a redução do consumo pode gerar impactos sociais. Faye Goodwin, de 20 anos, relatou dificuldades na vida universitária e na manutenção de amizades devido a refluxos ácidos severos e enjoos ao beber enquanto utiliza a medicação, chegando a adiar as doses para conseguir socializar.

Orientações médicas e segurança

Embora o Formulário Nacional Britânico não possua recomendações formais sobre a interrupção do álcool para quem usa esses fármacos, o Prof. Russell Hearn, do King's College London, ressalta que a redução da bebida auxilia na perda de peso, dado o alto teor calórico do álcool.

Apesar dos benefícios observados em alguns pacientes, a comunidade médica alerta para pontos críticos:

  • Efeitos colaterais: O uso desses medicamentos pode causar pancreatite, uma condição rara, porém grave.
  • Regulamentação: No Brasil, a Anvisa não aprova o uso desses remédios para o tratamento do alcoolismo.
  • Necessidade de estudos: Especialistas, como o Dr. Joseph Schacht e o Dr. Darren Quelch, enfatizam que são necessários ensaios clínicos maiores e mais longos para determinar a segurança e a eficácia do tratamento em pessoas que não possuem obesidade ou diabetes.

Atualmente, pesquisadores investigam se a classe de medicamentos GLP-1 pode ser expandida para o tratamento de outras dependências, como o uso de opioides e o tabagismo.

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