Menino brasileiro é o primeiro no país a recuperar a audição com terapia gênica
Menino brasileiro de 1 ano e 10 meses foi o primeiro no país a receber terapia gênica para tratar surdez causada por mutação no gene OTOF. O procedimento, realizado nos Estados Unidos, permitiu que a criança passasse a responder a estímulos sonoros entre 35 e 40 decibéis
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Um menino brasileiro de 1 ano e 10 meses tornou-se o primeiro paciente do Brasil, e o terceiro no mundo, a receber uma terapia gênica inovadora para tratar uma forma rara de surdez genética. O procedimento, realizado nos Estados Unidos, permitiu que a criança recuperasse a capacidade de ouvir sons naturais, superando as limitações de tecnologias convencionais.
A causa genética e a inovação do tratamento
A deficiência auditiva do paciente é causada por uma mutação no gene OTOF, responsável por produzir a proteína que viabiliza a transmissão de sons no ouvido. Quando essa proteína está ausente, ocorre a surdez congênita.
Diferente do implante coclear, que oferece uma audição artificial e com sonoridade robótica, a nova terapia atua na correção da causa genética da condição. A técnica consiste em uma cirurgia de aproximadamente três horas, na qual o material genético é aplicado diretamente na cóclea, estrutura do ouvido interno.
O processo de recuperação e resultados
A intervenção ocorreu em San Diego, na Califórnia, quando o menino tinha quase 1 ano e 8 meses. A agilidade no tratamento foi crucial, pois a aplicação precisava ocorrer antes dos 2 anos para minimizar riscos de atrasos no desenvolvimento da fala.
A resposta clínica foi imediata e comprovada por exames:
- Antes da terapia: O paciente não reagia a sons de 90 decibéis (intensidade similar a um secador de cabelos).
- Após a terapia: A criança passou a responder a estímulos entre 35 e 40 decibéis, nível compatível com sussurros ou conversas em tom baixo.
Atualmente, o menino já reage a ruídos cotidianos e acompanha a leitura de histórias feitas pelos pais.
Perspectivas e regulamentação no Brasil
Estudos indicam que a terapia gênica apresenta melhora auditiva em 80% dos pacientes tratados. Para os pesquisadores, o sucesso do caso abre precedentes para o desenvolvimento de tratamentos voltados a outras formas de surdez hereditária.
No Brasil, a tecnologia ainda não possui registro. Para que o tratamento se torne disponível no país, é necessária a aprovação da Anvisa e a posterior análise para possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).