Saúde

Minas Gerais confirma óbito por hantavirose ocorrido em fevereiro deste ano

15 de Maio de 2026 às 06:12

Autoridades de saúde de Minas Gerais confirmaram, em 11 de maio, que um óbito ocorrido em fevereiro foi causado por hantavirose. A doença é transmitida pela inalação de vírus provenientes de excreções de roedores silvestres

Minas Gerais confirma óbito por hantavirose ocorrido em fevereiro deste ano
Jornal Nacional/ Reprodução

Autoridades de saúde de Minas Gerais confirmaram, no dia 11 de maio, que um óbito ocorrido em fevereiro deste ano foi provocado por hantavirose. O diagnóstico foi concluído três meses após a morte, evidenciando a dificuldade de detecção da doença, cujos sintomas iniciais se assemelham aos de gripe ou dengue.

A hantavirose é causada por vírus presentes em roedores silvestres, que eliminam o patógeno por meio da urina, fezes e saliva. A infecção ocorre quando as excreções secam em locais fechados — como galpões, depósitos de grãos ou casas de campo abandonadas — e o vírus fica suspenso no ar, sendo inalado por seres humanos. A doença não é transmitida por água, alimentos, picadas de insetos ou contato casual entre pessoas.

O quadro clínico inicia-se após um período de incubação de uma a oito semanas, manifestando-se com febre, dores no corpo e na cabeça, além de náuseas e vômitos. Em poucos dias, a condição pode evoluir para a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, caracterizada por falta de ar, queda de pressão e falência cardíaca e pulmonar. Não há antiviral específico e a vacina disponível na Coreia do Sul não abrange as variantes das Américas. O tratamento consiste em suporte em UTI, com ventilação mecânica e oxigênio.

No Brasil, a letalidade média da doença é de 46,5%, segundo o Ministério da Saúde. No entanto, esse índice é calculado apenas sobre casos confirmados, sugerindo que os números reais sejam superiores, já que o diagnóstico depende de laboratórios especializados e centros de referência.

O primeiro registro da doença no país ocorreu em 1993, em Juquitiba (SP). Entre 2013 e 2023, foram notificados mais de 13 mil casos suspeitos, dos quais 758 foram confirmados, com quase 40% de óbitos. Em alguns estados, a letalidade superou 50%, atingindo 100% no Maranhão. As variantes brasileiras incluem nomes como Araraquara (uma das mais agressivas), Juquitiba, Castelo dos Sonhos, Anajatuba, Laguna Negra, Paranoá e Rio Mamoré. A região Sul concentra o maior volume de casos, enquanto o Centro-Oeste apresenta a maior proporção de mortes.

O perfil de maior risco no Brasil compreende homens entre 20 e 39 anos envolvidos em atividades rurais, como a limpeza de paióis e o manuseio de grãos em áreas com infestação de ratos.

Recentemente, a hantavirose ganhou visibilidade internacional com um surto no navio holandês MV Hondius. A embarcação, que partiu de Ushuaia (Argentina) rumo à Antártida com 147 pessoas, registrou oito passageiros doentes e três mortes. Foi o primeiro caso de surto do vírus em um navio, levando portos europeus, como o de Tenerife, a recusar a entrada da embarcação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o risco para a população geral como baixo.

O surto no navio foi causado pelo vírus Andes, variante que circula na Argentina e no Chile e que, em situações raras e específicas — como entre casais que compartilham a mesma cama ou profissionais de saúde sem proteção —, pode ser transmitida entre humanos. A OMS e autoridades argentinas investigam a hipótese de que o casal holandês infectado inicialmente tenha contraído o vírus durante uma viagem de quatro meses pela América do Sul, possivelmente em uma excursão de observação de aves perto de Ushuaia.

Para prevenir a infecção, a recomendação é arejar portas e janelas de locais fechados por ao menos 30 minutos antes da entrada. A limpeza de pisos deve ser feita com água e água sanitária, evitando a varrição a seco para não levantar poeira contaminada. É fundamental manter alimentos em recipientes fechados, eliminar entulhos e vedar frestas. Profissionais expostos devem utilizar luvas e máscaras PFF2/N95.

A busca por atendimento médico imediato é essencial para quem apresenta febre e dores no corpo após ter visitado zonas rurais ou manuseado depósitos antigos, informando ao profissional sobre a exposição para viabilizar a chegada à UTI em tempo hábil.

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