Saúde

Ministério da Saúde amplia vacinação contra HPV para crianças vítimas de violência sexual a partir dos 2 anos

14 de Setembro de 2026 às 15:04 3 min de leitura

O Ministério da Saúde ampliou a vacinação contra o HPV para crianças vítimas de violência sexual, permitindo a imunização de meninos e meninas a partir dos 2 anos. A medida, aplicada via SUS, não substitui o esquema básico de rotina previsto para os 9 anos

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Ministério da Saúde amplia vacinação contra HPV para crianças vítimas de violência sexual a partir dos 2 anos
Instituto Butantan/Divulgação

O Ministério da Saúde ampliou a recomendação de vacinação contra o HPV para crianças vítimas de violência sexual, permitindo que meninos e meninas a partir dos 2 anos recebam o imunizante. Anteriormente, a indicação para esse grupo específico iniciava-se aos 9 anos e se estendia até os 45.

A medida responde ao crescimento acentuado de notificações de violência sexual na primeira infância. De acordo com o Atlas da Violência 2026, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os registros entre crianças de 0 a 4 anos saltaram de 1.671, em 2014, para 7.845 em 2024, representando um aumento superior a quatro vezes em uma década.

Protocolo de aplicação e imunização

A aplicação da vacina quadrivalente ocorrerá mediante avaliação do profissional de saúde ou do serviço responsável pelo atendimento da vítima. É importante ressaltar que o imunizante não elimina infecções pelo papilomavírus humano já adquiridas durante o abuso, mas protege a criança contra outros tipos do vírus aos quais ela ainda não foi exposta, reduzindo riscos em exposições futuras.

O esquema vacinal para este grupo difere do calendário de rotina:

  • Crianças vacinadas antes dos 9 anos: A dose administrada devido à violência sexual não substitui o esquema básico. Ao atingir a idade regulamentar, a criança deverá ser imunizada novamente.
  • Crianças já vacinadas: A ocorrência de violência sexual não gera a indicação automática de uma nova dose.

A decisão de manter a vacinação de rotina aos 9 anos, mesmo para quem recebeu a dose precoce, deve-se à ausência de estudos específicos sobre a duração da proteção em menores de 9 anos. Embora a resposta imunológica seja considerada boa, pesquisadores monitoram por quanto tempo a imunidade de dose única permanece ativa nessa faixa etária.

Dados sobre violência sexual infantil

O aumento da violência sexual também é evidente em faixas etárias superiores. Entre 5 e 14 anos, as notificações subiram de 6.594, em 2014, para 29.135 em 2024, concentrando 66% dos casos analisados no último ano. Contudo, o Ipea estima que a subnotificação seja alta, com cerca de 822 mil estupros anuais no Brasil, número muito superior ao que chega aos sistemas de segurança e saúde.

A ampliação da vacina foi apoiada unanimemente pela Câmara Técnica Assessora em Imunizações do Ministério da Saúde, considerando a vulnerabilidade dessas vítimas a infecções sexualmente transmissíveis e a recorrência da violência em parte dos casos.

Eficácia e segurança do imunizante

A vacina quadrivalente disponível no SUS protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Enquanto os tipos 6 e 11 causam verrugas anogenitais, os tipos 16 e 18 estão ligados a tumores no pênis, vulva, vagina, canal anal, orofaringe e colo do útero.

Para embasar a idade mínima de 2 anos, o Ministério considerou:

  1. Pesquisas na América Latina com crianças de 4 a 6 anos, que demonstraram segurança e boa produção de anticorpos por até três anos.
  2. A experiência do Programa Nacional de Imunizações (PNI) no uso do imunizante para tratar a papilomatose respiratória recorrente.

Fluxo de atendimento no SUS

A vacinação será realizada em salas de vacina do SUS, com encaminhamento via hospitais, unidades de atenção primária ou serviços especializados em violência sexual. O processo exige o registro da indicação, consentimento do responsável legal, acompanhamento clínico e notificação de eventos adversos. As doses serão vinculadas ao código de violência sexual nos sistemas do PNI.

A assistência à vítima deve ser integral, integrando a vacina a medidas de proteção, notificação oficial e acompanhamento multidisciplinar para evitar novos episódios de violência.

Com informações de G1

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