Ministério da Saúde disponibiliza nove medicamentos oncológicos para mais de 116 mil pacientes no SUS
O Ministério da Saúde disponibilizou nove medicamentos oncológicos no SUS para atender mais de 116 mil pacientes, com investimento anual de R$ 155,4 milhões. A distribuição inicia em 20 centros de 17 estados, com previsão de abrangência nacional até dezembro
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O Ministério da Saúde iniciou, nesta terça-feira (20), a disponibilização de nove medicamentos oncológicos no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida visa beneficiar mais de 116 mil pacientes com tratamentos para diversos tipos de tumores, incluindo câncer de mama, próstata, pulmão, rim, estômago, além de leucemia e linfomas.
Para viabilizar a oferta desses fármacos, o governo federal investirá R$ 155,4 milhões anualmente. A estratégia de aquisição envolve a compra direta de dez itens, a negociação de preços para outros nove e o aumento de repasses para o custeio de quatro produtos.
Distribuição e Acesso
A entrega dos medicamentos começa em 20 centros de tratamento distribuídos por 17 estados, abrangendo as cinco regiões do país:
- Norte: Amazonas, Pará, Rondônia e Tocantins;
- Nordeste: Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe;
- Centro-Oeste: Distrito Federal e Goiás;
- Sudeste: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo;
- Sul: Paraná e Rio Grande do Sul.
A previsão é que a rede de serviços oncológicos de todo o Brasil seja contemplada até dezembro. O governo planeja expandir a assistência farmacêutica para totalizar 23 novos tratamentos ou indicações terapêuticas até o fim do ano, o que representa um crescimento de 35% nas opções da rede pública, com um impacto financeiro total estimado em R$ 4 bilhões por ano.
Indicações Terapêuticas
A prescrição dos fármacos não é universal para todos os pacientes com a doença, dependendo de critérios clínicos, estágio do tumor e avaliação médica. Os medicamentos atuam bloqueando a multiplicação de células cancerígenas, interferindo em sinais hormonais ou estimulando o sistema imunológico para controlar a progressão da doença, aumentar a sobrevida ou evitar a recidiva.
Abaixo, a relação dos medicamentos e suas respectivas indicações:
| Medicamento | Indicação Principal |
|---|---|
| Abemaciclibe | Câncer de mama em estágio inicial (RH+, HER2 negativo e com comprometimento de linfonodos). |
| Trastuzumabe | Câncer de estômago ou da junção esofagogástrica. |
| Abiraterona | Câncer de próstata metastático ou resistente à hormonioterapia. |
| Gefitinibe | Tratamento inicial para certos tipos de câncer de pulmão de não pequenas células. |
| Pazopanibe | Câncer de rim (células claras) em estágio metastático. |
| Sunitinibe | Câncer de rim (células claras metastático) e tumores estromais gastrointestinais (GIST) avançados/metastáticos após falha com imatinibe. |
| Rituximabe | Leucemia linfocítica crônica (primeira linha), linfoma folicular e linfoma difuso. |
| Acetato de lanreotida | Tumores neuroendócrinos. |
| TSH recombinante | Câncer de tireoide diferenciado em pacientes com indicação de iodo radioativo. |
Um dos destaques é o abemaciclibe, cujo custo no setor privado pode atingir R$ 366 mil. Já o trastuzumabe, que já integrava o SUS, teve sua indicação ampliada para abranger pacientes com câncer de estômago.
Rastreamento e Diagnóstico Precoce
Como parte da estratégia de prevenção, o governo distribuirá 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para o rastreamento do câncer colorretal. A implementação começa em novembro, priorizando capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes.
O exame é destinado a homens e mulheres de 50 a 75 anos assintomáticos e identifica sangue oculto nas fezes, indicando a possibilidade de pólipos ou tumores. Com precisão de até 92%, o FIT funciona como triagem; resultados positivos exigem a realização de uma colonoscopia para investigação.
Ampliação da Infraestrutura e Financiamento
O Ministério da Saúde também anunciou investimentos para modernizar o diagnóstico e a cirurgia oncológica:
- Cirurgias videotorácicas: Investimento de R$ 46 milhões anuais para procedimentos minimamente invasivos em pacientes com câncer de pulmão, visando reduzir internações e complicações.
- Iodoterapia: O financiamento para o tratamento de câncer de tireoide saltará de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões por ano.
- Remunerações: Haverá a quadruplicação dos repasses para medicamentos intravenosos e a duplicação para medicamentos orais. Também serão atualizados os valores de exames anatomopatológicos (biópsias), biologia molecular e sequenciamento genético.
Por fim, será criado um grupo de trabalho para estabelecer a primeira linha nacional de cuidado para o retinoblastoma, câncer que afeta a retina de crianças, com o objetivo de padronizar o diagnóstico e o tratamento precoce no SUS.