Saúde

Ministério da Saúde implementa novo protocolo de rastreamento para câncer colorretal no SUS

13 de Agosto de 2026 às 18:01

O câncer colorretal é o terceiro tipo mais frequente no mundo e representa 10% dos novos casos no Brasil. O Ministério da Saúde implementou no SUS o Teste Imunoquímico Fecal para rastreamento de pessoas entre 50 e 75 anos sem sintomas

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Ministério da Saúde implementa novo protocolo de rastreamento para câncer colorretal no SUS
João Cotta/Divulgação

O câncer colorretal, que engloba tumores no cólon e no reto, é atualmente o terceiro tipo de câncer mais frequente no mundo, com cerca de 2 milhões de diagnósticos anuais. No Brasil, a doença representa 10% dos novos casos registrados entre homens e mulheres, apresentando uma tendência de crescimento, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Embora a maioria das ocorrências ainda se concentre em pessoas acima dos 50 anos, há um aumento expressivo de casos entre jovens. Pesquisadores associam esse avanço a estilos de vida insalubres, embora a causa exata ainda esteja sob investigação.

Sinais de alerta e diagnóstico

A doença costuma ser silenciosa em seus estágios iniciais, o que torna a identificação de sintomas decisiva para o tratamento. A investigação médica é recomendada ao notar a presença de sangue nas fezes, sangramento retal, anemia sem causa identificada ou perda de peso inexplicável. Outros sinais incluem:

  • Alterações persistentes no funcionamento intestinal, como constipação ou diarreia frequente;
  • Fezes afinadas ou achatadas por vários dias;
  • Cólicas ou dores abdominais persistentes.

Casos públicos ilustram a importância da atenção a esses sinais. A cantora Preta Gil, em 2023, buscou ajuda após enfrentar prisão de ventre severa — chegando a dez dias sem evacuar —, além de notar muco e sangue nas fezes. O diagnóstico de um tumor de seis centímetros ocorreu após um sangramento intenso que exigiu hospitalização imediata. Já o ator Lúcio Mauro Filho descobriu a doença durante exames de controle realizados em um check-up, após ter passado por um tratamento pós-Covid.

Apesar de a população reconhecer a maioria dos sinais de alerta, uma pesquisa do A.C. Camargo indica que ainda há falhas na busca por diagnóstico precoce, evidenciando a resistência de muitos pacientes em procurar assistência médica mesmo diante dos sintomas.

Prevenção e hábitos de vida

O desenvolvimento do câncer de intestino está fortemente ligado a fatores comportamentais. Para reduzir as chances de desenvolver a patologia, recomendam-se seis hábitos fundamentais:

  1. Alimentação equilibrada: Priorizar pratos compostos por carnes magras, arroz, feijão (ou macarrão), legumes e verduras.
  2. Controle de peso: Evitar a obesidade, que é um dos principais fatores de risco.
  3. Atividade física: Praticar caminhadas diárias entre 40 e 60 minutos.
  4. Abstinência de substâncias nocivas: Não fumar e evitar o consumo excessivo de álcool para prevenir mutações celulares.
  5. Hidratação: Ingerir até 3 litros de líquidos por dia, dependendo do peso e nível de atividade física.
  6. Regularidade intestinal: Evitar períodos superiores a 48 horas sem evacuar, impedindo que substâncias cancerígenas permaneçam em contato prolongado com a mucosa intestinal.

Novo protocolo de rastreamento no SUS

Para ampliar a detecção precoce, o Ministério da Saúde implementou um novo protocolo nacional de rastreamento para o Sistema Único de Saúde (SUS). O foco são homens e mulheres entre 50 e 75 anos que não apresentam sintomas.

O exame de referência agora é o Teste Imunoquímico Fecal (FIT). Diferente de métodos antigos, o FIT utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano invisível a olho nu nas fezes. Essa tecnologia permite detectar com maior precisão a presença de tumores ou pólipos (lesões pré-cancerígenas), facilitando a intervenção médica precoce.

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