Ministério da Saúde implementa novo protocolo de rastreamento para câncer colorretal no SUS
O câncer colorretal é o terceiro tipo mais frequente no mundo e representa 10% dos novos casos no Brasil. O Ministério da Saúde implementou no SUS o Teste Imunoquímico Fecal para rastreamento de pessoas entre 50 e 75 anos sem sintomas
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/x/t/o2Tb9zQKuXzFYIkyYuRw/1718629445667034456684e-1718629445-3x2-md.jpg)
O câncer colorretal, que engloba tumores no cólon e no reto, é atualmente o terceiro tipo de câncer mais frequente no mundo, com cerca de 2 milhões de diagnósticos anuais. No Brasil, a doença representa 10% dos novos casos registrados entre homens e mulheres, apresentando uma tendência de crescimento, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Embora a maioria das ocorrências ainda se concentre em pessoas acima dos 50 anos, há um aumento expressivo de casos entre jovens. Pesquisadores associam esse avanço a estilos de vida insalubres, embora a causa exata ainda esteja sob investigação.
Sinais de alerta e diagnóstico
A doença costuma ser silenciosa em seus estágios iniciais, o que torna a identificação de sintomas decisiva para o tratamento. A investigação médica é recomendada ao notar a presença de sangue nas fezes, sangramento retal, anemia sem causa identificada ou perda de peso inexplicável. Outros sinais incluem:
- Alterações persistentes no funcionamento intestinal, como constipação ou diarreia frequente;
- Fezes afinadas ou achatadas por vários dias;
- Cólicas ou dores abdominais persistentes.
Casos públicos ilustram a importância da atenção a esses sinais. A cantora Preta Gil, em 2023, buscou ajuda após enfrentar prisão de ventre severa — chegando a dez dias sem evacuar —, além de notar muco e sangue nas fezes. O diagnóstico de um tumor de seis centímetros ocorreu após um sangramento intenso que exigiu hospitalização imediata. Já o ator Lúcio Mauro Filho descobriu a doença durante exames de controle realizados em um check-up, após ter passado por um tratamento pós-Covid.
Apesar de a população reconhecer a maioria dos sinais de alerta, uma pesquisa do A.C. Camargo indica que ainda há falhas na busca por diagnóstico precoce, evidenciando a resistência de muitos pacientes em procurar assistência médica mesmo diante dos sintomas.
Prevenção e hábitos de vida
O desenvolvimento do câncer de intestino está fortemente ligado a fatores comportamentais. Para reduzir as chances de desenvolver a patologia, recomendam-se seis hábitos fundamentais:
- Alimentação equilibrada: Priorizar pratos compostos por carnes magras, arroz, feijão (ou macarrão), legumes e verduras.
- Controle de peso: Evitar a obesidade, que é um dos principais fatores de risco.
- Atividade física: Praticar caminhadas diárias entre 40 e 60 minutos.
- Abstinência de substâncias nocivas: Não fumar e evitar o consumo excessivo de álcool para prevenir mutações celulares.
- Hidratação: Ingerir até 3 litros de líquidos por dia, dependendo do peso e nível de atividade física.
- Regularidade intestinal: Evitar períodos superiores a 48 horas sem evacuar, impedindo que substâncias cancerígenas permaneçam em contato prolongado com a mucosa intestinal.
Novo protocolo de rastreamento no SUS
Para ampliar a detecção precoce, o Ministério da Saúde implementou um novo protocolo nacional de rastreamento para o Sistema Único de Saúde (SUS). O foco são homens e mulheres entre 50 e 75 anos que não apresentam sintomas.
O exame de referência agora é o Teste Imunoquímico Fecal (FIT). Diferente de métodos antigos, o FIT utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano invisível a olho nu nas fezes. Essa tecnologia permite detectar com maior precisão a presença de tumores ou pólipos (lesões pré-cancerígenas), facilitando a intervenção médica precoce.