Ministério da Saúde recomenda vacinação contra sarampo em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo
O Ministério da Saúde recomendou a vacinação contra o sarampo de 3 de agosto a 1º de setembro para pessoas entre 6 meses e 59 anos em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. A medida ocorre após o estado de São Paulo registrar 15 dos 18 casos confirmados no Brasil em 2026
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O Ministério da Saúde recomendou a vacinação contra o sarampo para todas as pessoas entre 6 meses e 59 anos que residam ou trabalhem nas cidades de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. A medida, que ocorre independentemente do histórico vacinal do indivíduo, visa interromper uma cadeia de transmissão ativa e evitar que o vírus atinja novos grupos vulneráveis.
A mobilização acontece entre 3 de agosto e 1º de setembro. Durante esse período, não será exigida a comprovação de doses anteriores, permitindo que mesmo quem já completou o esquema da tríplice viral (imunizante que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) receba uma dose adicional.
Cenário epidemiológico e surto em São Paulo
Atualmente, São Paulo é o único estado brasileiro com casos confirmados da doença, configurando um surto ativo devido à existência de casos interligados. Em 2026, o Brasil registrou 18 casos, dos quais 15 estão concentrados em território paulista:
- São Paulo (Capital): 12 casos;
- São Bernardo do Campo: 2 casos;
- Guarulhos: 1 caso.
Dos registros na capital, dois foram importados — pacientes que estiveram na Bolívia e na Guatemala —, enquanto os demais foram transmitidos localmente. Os casos em São Bernardo do Campo resultaram de contato com infectados da capital.
A região metropolitana é considerada own zona de alto risco para a reintrodução do vírus devido à alta densidade populacional, ao intenso fluxo diário de pessoas e a portões de entrada internacionais, como o Aeroporto de Guarulhos, além da movimentação nos portos de Santos e no aeroporto de Campinas.
Estratégias de bloqueio e imunização
A vacinação ampliada, ou indiscriminada, é uma tática de bloqueio reconhecida internacionalmente. O objetivo é reduzir rapidamente a quantidade de pessoas suscetíveis ao vírus ao redor dos casos identificados. Para quem já foi vacinado, a dose extra serve como reforço, mitigando possíveis falhas de resposta imunológica anterior, sem causar malefícios à saúde.
Para crianças entre 6 e 11 meses, é prevista a aplicação da "dose zero". Embora a proteção nessa faixa etária seja parcial, a medida reduz a probabilidade de a criança desenvolver formas graves da doença, já que o esquema vacinal completo inicia-se apenas aos 12 meses.
Queda na cobertura vacinal
A situação em São Paulo serve como alerta para o país, especialmente após o Brasil ter recuperado, em 2024, o certificado de país livre do sarampo. A manutenção desse status depende de coberturas vacinais altas e homogêneas.
No estado de São Paulo, houve uma queda nos índices de imunização em 2026:
- 1ª dose: 77,5% (em 2025 era de 94%);
- 2ª dose: 65,5% (em 2025 era de 84,4%).
A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é de 95% para ambas as doses, patamar necessário para impedir que casos importados gerem novas cadeias de transmissão.
Sintomas, riscos e contraindicações
O sarampo é altamente transmissível e pode evoluir para complicações graves, como broncopneumonia, encefalite (inflamação do cérebro), otite média e diarreia. Os grupos de maior risco incluem crianças menores de 5 anos (especialmente desnutridas), adultos acima de 20 anos e pessoas imunocomprometidas.
Os principais sintomas incluem:
- Febre acima de 38,5°C;
- Manchas avermelhadas que começam na cabeça e descem para os pés;
- Tosse seca, coriza e conjuntivite não purulenta.
A vacina é segura e bem tolerada, podendo causar reações leves como dor no local, febre baixa ou um exantema discreto (conhecido como "sarampinho"). A imunização é contraindicada apenas para pessoas com histórico de anafilaxia em doses anteriores ou indivíduos gravemente imunocomprometidos.