Ministério da Saúde retoma dose de reforço contra a poliomielite para crianças de 4 anos
O Ministério da Saúde retoma, em 3 de agosto, a aplicação de uma dose de reforço da vacina inativada poliomielite (VIP) para crianças de 4 anos. O novo protocolo estabelece cinco etapas vacinais, incluindo três doses iniciais, um reforço aos 15 meses e a dose aos 4 anos
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A partir de 3 de agosto, o Ministério da Saúde retoma a aplicação de uma dose de reforço contra a poliomielite para crianças de 4 anos. A medida, oficializada por nota técnica do Programa Nacional de Imunizações (PNI), reintegra ao Calendário Nacional de Vacinação uma etapa do esquema vacinal que havia sido suspensa em 2024.
O novo protocolo estabelece a aplicação da vacina inativada poliomielite (VIP), a versão injetável, em cinco etapas: três doses iniciais aos 2, 4 e 6 meses de idade, seguidas por um primeiro reforço aos 15 meses e o segundo reforço aos 4 anos. Anteriormente, o calendário brasileiro utilizava a vacina oral (VOP), a "gotinha", para os reforços. No último ano, o país migrou exclusivamente para a VIP, mas havia reduzido o cronograma para apenas quatro doses no total.
A substituição da vacina oral pela injetável é considerada um avanço técnico, pois a VOP utiliza vírus vivos atenuados que, embora raramente, podem sofrer mutações e causar paralisia. Essa mudança segue recomendações da Organização Mundial da Saúde, que orientou a descontinuidade da vacina oral após a constatação de que a incidência de paralisias associadas ao imunizante superava a provocada pelo poliovírus selvagem. Além disso, a VIP proporciona uma resposta imunológica mais robusta.
A decisão de retomar o reforço aos 4 anos foi fundamentada por recomendações da Câmara Técnica Assessora em Imunizações (CTAI) e discutida com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), além dos conselhos nacionais de secretários e secretarias municipais de saúde (Conass e Conasems). O objetivo é prolongar a proteção infantil, especialmente porque as coberturas vacinais atuais permanecem abaixo da meta de 95%.
Para crianças com o esquema incompleto, a orientação é a atualização da vacinação até os 4 anos, 11 meses e 29 dias. Aquelas que já receberam as três doses iniciais e o primeiro reforço devem tomar a nova dose aos 4 anos, desde que respeitado o intervalo mínimo de seis meses entre as aplicações. Crianças que já completaram o esquema com dois reforços anteriormente não necessitam de doses adicionais.
A ampliação do calendário visa evitar a reintrodução da poliomielite, doença capaz de causar morte ou paralisia permanente. O Brasil não registra casos da enfermidade desde 1989 e obteve, em 1994, a certificação de área livre da circulação do poliovírus selvagem, status compartilhado com as demais nações das Américas.