Ministério da Saúde suspende aplicação de vacina contra a dengue após registro de reações severas
O Ministério da Saúde suspendeu a vacina contra a dengue do Instituto Butantan após 42 reações severas e duas mortes. A Anvisa e o PNI investigam a causalidade dos eventos adversos, que atingiram 0,008% dos imunizados. Estados e municípios devem interromper a aplicação e manter as doses armazenadas
O Ministério da Saúde suspendeu, na última segunda-feira (8), a aplicação da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. A medida temporária ocorre após o registro de 42 casos de reações severas, incluindo duas mortes, que podem ter relação com o imunizante.
A pasta orientou que estados e municípios interrompam a vacinação, mas mantenham as doses armazenadas nas redes de refrigeração locais. O governo federal agora foca no rastreamento de novos efeitos adversos, promovendo reuniões com as cidades onde a vacina foi aplicada para realizar buscas ativas de queixas e notificações.
O monitoramento será intensificado na rede hospitalar, com foco em óbitos, casos com sinais de alarme e ocorrências de dengue em pacientes vacinados recentemente. Esse acompanhamento será segmentado por território, unidade ou lote.
Entre janeiro e 30 de maio de 2026, foram notificadas 3.703 pessoas com sintomas semelhantes aos da dengue após a vacinação, o que representa 0,7% do total de imunizados. Desse grupo, 42 casos (0,008% dos vacinados) apresentaram sinais de alarme, como sangramentos, vômitos persistentes e dor abdominal. Tais episódios foram classificados como eventos muito raros, pois não constavam na bula nem nos estudos clínicos.
Dentre os quadros graves, destaca-se o de uma mulher de 39 anos que, seis dias após a dose, desenvolveu febre, náuseas e dores musculares, evoluindo para dengue grave com choque e internação em UTI, embora tenha se recuperado.
A Anvisa já notificou o Instituto Butantan e deve reunir um comitê de especialistas para a investigação epidemiológica. O objetivo é analisar o perfil das pessoas que apresentaram eventos adversos, já que a relação de causalidade entre a vacina e os óbitos ainda não foi estabelecida. O processo de apuração será conduzido conjuntamente pela Anvisa, pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e pelo Butantan, que deverá fornecer novos dados às autoridades.
Para quem recebeu o imunizante nos últimos 21 dias, a recomendação é procurar uma unidade de saúde para acompanhamento. Os sintomas que exigem atenção imediata incluem sonolência intensa, irritabilidade, tontura, febre, desidratação, vômitos persistentes, sangramentos e dor abdominal contínua e intensa.
A vacina Qdenga, da farmacêutica Takeda, foi integrada ao PNI no fim de 2023 e segue disponível gratuitamente no SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. O imunizante não possui liberação da Anvisa para pessoas com mais de 60 anos.