Saúde

Ministério da Saúde suspende aplicação de vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan

08 de Junho de 2026 às 15:16

O Ministério da Saúde suspendeu a aplicação da vacina contra a dengue do Instituto Butantan nesta segunda-feira (8). A decisão ocorreu após a detecção de 42 reações severas, incluindo dois óbitos. A relação de causalidade entre o imunizante e as mortes será investigada

O Ministério da Saúde suspendeu, nesta segunda-feira (8), a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida ocorre após a detecção de 42 episódios de reações severas associadas ao período de vacinação, incluindo dois óbitos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que tais efeitos não haviam sido relatados em estudos anteriores, mas ressaltou que a relação de causalidade entre o imunizante e as mortes ainda será investigada.

A vacina Butantan-DV é o primeiro imunizante 100% brasileiro contra a doença, operando com dose única para estimular a proteção natural do organismo contra os quatro sorotipos do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4).

Dados de um ensaio clínico de fase 3 realizado no Brasil, publicados na revista Nature Medicine, indicaram que a eficácia geral do imunizante contra a dengue sintomática é de 65% após cinco anos de acompanhamento. A proteção contra quadros graves ou com sinais de alarme atingiu 80,5%, com a ausência de casos graves entre os vacinados durante o estudo, ao contrário do grupo que recebeu placebo.

A análise de longo prazo, que envolveu mais de 16 mil participantes entre 2 e 59 anos, demonstrou que a proteção se mantém por ao menos cinco anos. A eficácia variou conforme o histórico do paciente: 77,1% para quem já havia tido dengue e 58,9% para quem nunca foi infectado.

Embora a vacina tenha sido projetada para todos os sorotipos, o estudo clínico no Brasil avaliou a proteção direta apenas contra o DENV-1 e o DENV-2, que eram os tipos circulantes na época. Sobre essa lacuna, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, pontua que pesquisas internacionais podem esclarecer a eficácia contra os demais sorotipos e que o objetivo central de vacinas virais é evitar as formas mais perigosas da doença, reduzindo hospitalizações e mortes, mesmo que a circulação do vírus não seja totalmente eliminada.

Quanto à segurança, o estudo original não apontou sinais de problemas relacionados ao imunizante, com eventos adversos graves ocorrendo em proporções similares entre vacinados e o grupo placebo. Um ponto crítico na avaliação de vacinas contra a dengue é garantir que elas não provoquem o aumento dependente de anticorpos, fenômeno que pode agravar a doença em uma segunda infecção.

Apesar do avanço nos imunizantes, a manutenção do controle do mosquito Aedes aegypti permanece indispensável, já que nenhuma vacina oferece proteção total e a circulação do vírus depende do vetor.

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